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because your smile make me live ♥

so strong, so broken

because your smile make me live ♥

so strong, so broken

a boiar na vida

Perdida ou concentrada no meu mundo?

Estou a nada contra a maré, a tentar manter-me ao de cima e agarrar-me a todos os pequenos pedaços de madeira que aparecem. Isolada no meu cásulo, a perder laços que não deveria e agarrada a outros que têm sido a minha salvação. Sei que não deveria ficar tão perdida, não há sequer desculpas, apenas horários e situações de vida diferentes, que me leva novamente aquela lugar de injustiça para o qual não existem palavras de descrição.

Voltar para esta gaiola é constantemente desafiante e esgotante. A falta de privacidade e sossego, os controlos constantes, o mau ambiente e um pouco de tudo em geral. Não existe um lugar tranquilo em que me possa sentir confortável, sem estar com aquele olhar e ouvido atento. Não existe aquele sono de descanso porque há maus hábitos criados e ao despertar da manhã o pouco silêncio da noite vira a confusão do dia-a-dia.

Felizmente não me perdi, apenas me tornei uma rebelde e desgraça aos olhos deles. Continuo a lutar por mim e pelo meu futuro, quando o meu interior grita e debatesse para não me tornar uma pessoa ainda mais fria. Estou orgulhosa de mim e cada vez mais acredito em mim própria e sei que apesar de ir partir corações e "desiludir", qual o trilho que tenho que tomar. 

O grande problema são as mentalidades e erros cometidos que têm e ainda terão consequências, que geram discussões sem sentido, sentimentos frios que provocam o distanciamento. Fico grata por ter conhecido a liberdade, só que agora não há impedimento para conseguir sair de vez da gaiola e voar em direção ao que quero do meu destino.

Não sou uma pessoa fria, muito pelo contrário, sou bastante sentimental. É mais uma das máscras juntamente com os muros criados ao longo do tempo para própria protecção para não sofrer o mesmo rumo. Gostava de puder mostrar quem realmente sou, os meus pensamentos, as minhas ambições... Não é ou irá ser possível porque não é o que o mundo limitado que conhecem e algo fora dessas barreiras é como se fosse um sacrilégio.

Aos pouco tento conformar-me com o que ainda virá, o periodo ainda negro e o que mais temo para a minha sa+ude mental, e o futuro em que terei que ser corajosa e cortar os laços para não ficar a viver esta infelicidade que se vai alojando aos poucos, que reabre feridas antigas.

 

Piercings&Tatuagens

Fiz o meu primeiro piercing há 4 anos.

Sempre gostei de ver raparigas com piercing no umbigo e quando finalmente ganhei a coragem e oportunidade não hesitei... É sempre um pouco assustador, mas como é um furo no corpo alguma coisa basta deixar fechar.

A dor é bastante suportável, no meu caso foi quase como se não tivesse dóido. Senti e fez mais impressão, a tirar o "ferro" para colocar a jóia, que o fazer o piercing em geral. Nos primeiros dias inchou e dói-a sempre que me dobrava, o que me obrigou a andar direita. Para além dos cuidados recomendados, limpar e desinfectar 2-3x ao dia e não fazer grandes esforços durantes as primeiras 2 semanas, mal podia esperar para sarar e experimentar outras jóias. Infelizmente apanhei uma infeção, nunca descobri bem porque mas tenho um sistema demasiado sensível, tive os devidos cuidados e estava sempre a limpar, mas começou a formar ferida e foram mais umas 2/3 semanas para além do mês e meio para puder mudar a jóia. Ao fim deste tempo ainda continuou sensível, até cicatrizar por completo. Especialmente com jóias com pendentes mas é tão bonito de ser ver e adoro como me fica! Acabou por cicatrizar completamente e é um dos meus tesouros. Nos meses de verão ando sempre a mudá-lo porque esta visível, mas assim que chega o tempo com mais roupa esqueço-me completamente e torno-me uma desleixada.

Há três meses fiz a minha primeira tatuagem.

Desde que fiz o piercing, a ideia de ter uma tatuagem foi-se criando e crescendo, mas como é uma coisa séria e para a vida fui deixando de parte até ser mais velha e ter mesmo certeza. Desde o fim do ano lectivo passado, que a ideia voltou a surgir, e devido aos acontecimentos decidi que ia fazer. Só faltava decidir o quê e onde. Ao início queria uma palavra nas costelas, mas sendo um dos lugares mais dolorosos, passei a pensar no pulso ou antebraço. No meio da pesquisa encontrei um desenho de uma lua com cristais que me cativou imenso por ser um símbolo com bastante significado. Experimentei desenhar em vários locais do meu corpo até encontrar o que mais gostava.

Nos dias antes de ir fazer a tatuagem estava bastante nervosa e indecisa, queria imenso fazer por mim mas ao mesmo tempo é para a vida e tinha medo de me arrepender. O dia chegou e continuava com aquela sensação de ansiedade mas assim que cheguei ao local começou a desaparecer. Queria mesmo e precisava de algo para me lembrar! Fiz a lua com os cristais no interior no interior do antebraço. A dor também é suportável, apesar de ser uma sensação duradoura e sítios mais sensíveis que outros. O meu processo de cicatrização foi "ao ar livre" e é muito melhor e menos doloroso que um piercing. A pele fica sensível, é natural porque foi agredida, ao fim de 2-5 dias começa a formar uma pequena e leve crosta que vai saindo, depois disto as linhas começam a deixar de se sentir tanto e passadas umas 2 semanas já se pode ir à piscina, rio, apanhar sol mas continuar a ter cuidados na hidratação. Durante as primeiras 2 semanas hidratava 3 vezes por dia, depois passei para 2 por dia e agora é sempre naquela hidratação ao fim do banho. A minha tatuadora deu-me umas amostras, mas como a minha pele já estava agredida não reagiu muito bem e passados 2 dias começaram a aparecer-me umas pequenas bolinhas de alergia e mudei para bephantene e começaram a desaparecer gradualmente e não irritava tanto a pele. Para mim, naquele momento, custou um pouco mais que fazer um piercing que é uma dor só naquele momento e já passou, a tatuagen é uma dor gradual e por mais tempo. Não estou arrependia, amo a minha tatuagem. Já faz parte de mim que acabo por me esquecer, mas quando reparo nela dou por mim a pensar no mais importante e como adoro vê-la em mim. 

Foi um momento especial que esta gravado.

Há uma semana atrás fui retocar a tatuagem porque havias pequenos pedaços na linha da lua que estavam demasiado esbatidos. Dizem que o retoque dói mais que fazer a tatuagem, mas no meu caso foi o contrário. Foi um processo tão rápido é natural, senti na mesma o desconforto e um pouco mais de dor nos sítios mais sensíveis. Porém, por já saber como iria ser a dor, acabei por abstrair-me. Desta vez ela aplicou uma película que se for mantida pelos 3-4 dias evitasse o processo de cicatrização inicial (as crostas e a comichão), só que com o calor extremo que esteve a minha pelicula começou a enrolar-se e como é um sitio que sofre muito movimento, acabei por tirar passado um dia. É chato ter as crostas e ter que andar, quase, constantemente a aplicar pomada mas o resultado final vale a pena.

Há um mês fiz o meu segundo piercing, desta vez na língua.

Andava com aquele bichinho de voltar a fazer algo, mas uma tatuagem para além de ainda ser um pouco dispendioso, é duradouro e não tenho aquela certeza ou ideias para fazer outra por enquanto, por isso o piercing era o mais seguro já que pode fechar. Foi uma decisão meio instantâne e de momento.

Desta vez estava completamente normal, sem nervosismo, apenas ao fazer dei pelas minhas pernas a tremerem mas estava consciente que queria. A dor foi menor que a do 1º piercing, a impressão de sentir a agulha a passar na língua é que foi realmente estranha. Para além que cansa, ter que estar aquele tempo com a língua de fora e passado uns tempos os reflexos são difíceis de controlar. Gostei bastante do resultado, só que a cicatrização é a mais dolorosa! A língua incha bastante e demora mais tempo a desinchar do que eles dizem, fica bastante sensível e é bastante desconfortável. Nesse dia por ter ficado tão inchada e ser incapaz de comer alguma coisa para além de liquído e mesmo esses eram dolorosos. Mas supostamente tinha passado o mesmo com o piercing no umbigo, só que já foi à tanto tempo que já não me lembro. Os primeiros 3-5 dias foram realmente muito custosos, as dores ao acordar, a comer, quando precisava de falar mais, ao engolir por ter um objecto estranho, e só me apetecia tirar ao piercing para aquilo acabar, mas acabei por aguentar e pensar que estava giro e no fim ia valer a pena. Só ao fim de uma semana é que começou a desinchar e comecei a conseguir comer comida mais consistente mas com imenso cuidado e devagar para não morder a jóia. A minha fala também ficou um pouco afetada durante a primeira semana, mas ao desinchar voltou ao normal. Ao fim de 2 semanas a língua desinchou quase por completo, ao acordar continuou um pouco grande mas passava rápido, só na parte debaixo é continuou um pouco dolorida por ser a parte mais sensível devido ao ter mais vasos sanguíneos visíveis. Passei a lavar mais vezes os dentes e no fim passar sempre o elixir. Fiquei com a jóia grande um mês,  e até conseguir voltar ao estúdio para trocar porque  o não conseguia desapertar. Por ser tão grande acabo por estar sempre a brincar e torna-se um pouco chato e desconfortável em certas alturas quando estou a comer.

Há uma semana finalmente troquei a jóia e foi um alívio por deixar de ter um pendente na língua, porém por já estar tão habituada parecia que não tinha nada na língua. Não me arrependo propriamente, apesar do processo de cicatrização ser bastante penoso, é um piercing escondido que só sabe quem eu quero.

O meu estilo não é alternativo, muito pelo contrário, acho que até sou demasiado simples e desleixada, muitas vezes. Estou a criar-me ao meu gosto! Enquanto a mentalidade de pessoas não seguir em frente e deixar de lado esterótipos, a sociedade não irá mudar muito e vai haver sempre julgamento. É a minha geração que pode começar a mudar isso, não o faço para promover isso mas porque gosto da imagem e do meu corpo.

É verdade o que dizem que quando se faz um piercing ou tatuagem, muito provavelmente irá voltar-se a fazer outro...

*Relação à distância

Relações à distância não são fáceis, mas também não são impossíveis. Envolvem muita dedicação e especialmente comunicação. É um processo de aprendizagem, em que ambos os lados têm que estar dispostos a lutar. Ambos os lados sofrem, quem vai têm a vantagem de ir descobrir coisas novas o que ajuda na distração, mas quem fica têm que refazer a rotina, preencher os espaços e tempos mútuos. Todas as relações são diferentes, vai depender de como as pessoas se relacionam e isso não muda com a distância, aprende-se com o tempo e até lá é necessário haver compreensão mútua, uma boa comunicação e ter sempre em mente que no final irá compensar. Há muitas variáveis em jogo e como se lida com elas, às vezes, pode definir o percurso que tomará com a distância. 

A minha experiência é um misto, aprendi e cresci como pessoa, mas ao mesmo tempo, também acabei por sofrer imenso com as saudades e distância.

Os primeiros 3 meses foram os mais complicados, de repente ficamos separados quando estava tão habituada a ter aquela abraço ou palavra carinhosa ao final do dia. A novidade para ele, mas estar completamente sozinho num país completamente diferente. A dor de voltar à rotina sem ele, o que mais me dava coragem par enfrentar o dia e ficar à espera de ter noticias. O que mais custou foi a falta daquele abraço e mimos, as pequenas coisas, os pequenos gestos provocavam uma dor imensa e grande parte doa dias passava-os a chorar até adormecer. Sem dar bem conta, acabei por adotar uma nova rotina mas sempre houve algo que faltava não importava com quantas coisas me tentasse ocupar. Foi complicado porque eu estava um autêntico caos de desespero e ter que lidar com a distância, saudades, apareceram novas coisas que não podia impedir, só podia aceitá-las ou colocá-las a um canto. O desconhecido traz sempre medos e com isso começam os filmes sem sentido, aquelas sensações de que mesmo confiando vão sempre existir medos. Devido a ser bastante apegada a ideia de outras puderem estar com ele e eu não, fez imensos estragos a nível emocional e foi bastante complicado lidar com isso até começar a "habituar-me" e pensar em mim própria e que apenas tinha que conseguir sobreviver e cumprir os meus objectivos.

A despedida foi de partir o coração, aquela sensação de o ver partir e deixar-me cair no chão a chorar do fundo do coração e perceber que tinha começado e não estava minimamente preparada para o que viria, ou sequer sabia como fazer para lidar com todas as emoções e sentimentos. O que me ajudou foi agarrar-me as palavras dele na despedida e fazermos o esforço de falar um pouco todos os dias e não deixar morrer o que tinhamos. Porém há sempre coisas que custam ouvir e fazem a ferida crescer aos poucos. Eram problemas comigo própria, que sempre foram complicados de lidar devido a ter vivido dentro de uma gaiola e sem dúvida que isso tornou o processo bastante mais difícil. Ainda hoje doem, foram três dos seis meses a sobreviver da melhor maneira que me era possível naquele momento, e isso dóia porque eu precisava era de viver mas a minha vida foi-se transformando demasiado rápido sem tempo para me adaptar às mudanças.

Com a épocas festivas ele voltou e não há palavras para descrever o quão caloroso e reconfortante é sentir-me novamente nos braços dele. Foi como se aqueles meses não tivessem existido, erámos nós. Era muito bom tê-lo de volta, mas o tempo parecia sempre pouco e por mais que tentasse aproveitar sabia que não tarda teria que me voltar a despedir e voltar aquela rotina sem sentido. Despedidas são terríveis, todos os nossos músculos lutam só por mais um pouco e largar é de partir o coração. A sensação de ficar ali imóvel, sem puder correr atrás ou ter sequer um pouco de conforto é devastador. Voltar à rotina foi um pouco mais fácil, iria ser menos tempo seraparada dele e ia ter com ele.

Por ter já uma rotina, não quer dizer que se torne mais fácil, é apenas mais tolerável. A rotina entre casal esta estabelecida, tal como a rotina pessoal, já se têm um pouco de experiência... Porém até ao fim continuaram a existir aqueles dias bastante penosos, em que acordar era ainda mais doloroso que o normal, o dia parecia andar devagar até conseguirmos comunicar e a noite nunca mais chegava para dar um pouco daquele conforto que já passou mais um dia. Os dias começarem a ser maiores juntamente com o sol, iam contra aquele mood geral de querer estar a viver este ano marcante com ele e não completamente sozinha. 

Os dias antes das viagens para ir ter com ele, pareciam que passavam bastante devagar e aí as saudades apertam ao extremo. Não se pensa propriamente racional, são os sentimentos e emoções que controlam porque só se querer ver a outra pessoa à espera com aquele sorriso a surgir no meio da multidão. Por ir ter com ele e estar num espaço completamente diferente, acaba por saber sempre melhor. Não foi a minha rotina que foi alterada e não ficam aqueles fantasmas, mas sim memórias fantásticas que ajudam a sobreviver. 

Apesar do início do ano ter sido consideravelmente melhor, para o final começou a descambar aos poucos. Pensava que estava a fazer o meu melhor e nem me apercebia que era o contrário. Já só queria que ele voltasse e estava tão em modo automático que voltei um pouco ao antigo eu. As forças começam a faltar e os medos do futuro tentam falar mais alto e para calar isso, o psicológico começou a sofrer cada vez mais. 

Cresci, aprendi mas arrependo-me de não ter conseguido viver mais, deixou uma ferida. É difícil de compreender porque para mim também tudo mudou, só que fiquei no mesmo lugar e a lutar contra mim própria. Houve novas oportunidades e eu arrisquei-me e estou bastante orgulhosa de mim própria! Foi sempre um misto de emoções e sentimentos, hábitos são criados mas as saudades, essas nunca são tréguas.

Foram 10 meses separados, uma relação à distância que acabou por ser uma prova de fogo a nível pessoal e emocional. Acabou e fica a experiência de quem ficou.

É óptimo tê-lo de volta, sinto-me inteira novamente. Acabou, mas agora é preciso voltar a encontrar os ritmos, criar uma nova  a rotina. É preciso continuar a haver comunicação e dedicação.

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Uma etapa acabou para uma nova começar!

O adeus à independência

Após 5 anos, ter ganho a minha liberdade pessoal e a minha independência, voltei aquela prisão que me prendeu durante 18 anos. Passou incrivelmente rápido, mesmo quando estava prestes a acontecer continuava a parecer tão distante. 

A minha casa é Aveiro! Parece poucos anos, mas vivi e cresci tanto nesse tempo, descobri quem eu era e como a felicidade se parecesse. Desde que ele voltou, apesar de não ser fácil desapegar-me do lado emocional, foram momentos tão bons. Voltar à rotina, criar novas memórias e sentir na pele como é voltar a sorrir, sentir-me em casa, ser feliz. As últimas três semanas, quase, que compensaram os 10 meses. É um sentimento de nostalgia e tristeza, mas que carrega aprendizagem e que realmente me viu tranformar na pessoa que sou hoje. Todas as memórias, as amizades, as vivências, mesmo os momentos maus e de stress...

Quando era pequena costumava ir passar férias à Aveiro e talvez por causa disso tenha, também, a escolhido para estudar e tornou-se naquele lugar tão natural. Abandonar a casa onde vivi é um sentimento novo, que não consigo arranjar palavras para explicá-lo porque parece que passei lá a minha vida, tornou-se o sitío em que me sinto realmente confortável.

Uma viagem a conter as lágrimas e pensar que irá ser difícil, e só espero ter o suporte que preciso ao meu lado. Aquele silêncio que tanto diz, como nada diz. Deixar o coração e metade da felicidade para trás. Após chegar ao meu quarto e ficar sozinha, desabei sobre mim própria. Todos os sentimentos, as emoções, numa questão de horas e quilômetros ser tudo tirado de mim, sentir-me a voltar aquela gaiola e desta vez ser fechada. 

Sei que tenho que ser forte com as forças que não tenho, que preciso de olhar em frente que é apenas um caminho para puder voltar a independência total. Só que é tão doloroso, aqui ainda me sinto mais sozinha e solitária. Tenho imenso medo do futuro, este lugar faz-me duvidar até de mim própria. Só agora começou e, já, estou a fazer um esforço enorme para não cair em desespero ou voltar a ser aquela criança que caiu do abismo.

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Faz-me sentir!

Sussuros

Sussuro à noite para que me acolha e me faça vaguear em segurança. O mundo é vasto lá fora, mas é infinito cá dentro.

Sussuro à escuridão para que me guie. Que me acompanhe neste caminho atribulado, mostrando-me a beleza do que não consigo ver. 

Ela sonhou bastante, nessa noite o seu inconsciente decidiu dar-lhe o escape que precisava mas não podia. Do nada aparecem-lhe cortes no pulso, finos mas que proporcionavam aquela sensação de alívio. Uma dor física para suportar a psicológica, nos caminhos encurralados que encontrava. Puder voltar a tocar e sentir aquela sensação de alívio, parecendo tão real. Passados uns minutos começa a desparecer para lugar a realidade. Ela acorda, toca no pulso e foi apenas um sonho mas a dor permanecia ali. 

Acende a luz e eram 5:00h, pega no diário de couro azul, percorre as páginas ainda envolta naquela sensação. 

As palavras estão no meu coração, mas são demasiado sentidas e pesadas para as conseguir passar para o papel.

Sussuro a mim mesma, envolta em sensações. Não desistas, és derrubada mas aprendes-te e sabes como levantar-te.

deixem-me ficar com as minhas conquistas

Desde que me lembro que sempre fui comparada às outras pessoas e isso acaba por provocar alguma revolta e dor. Ao ser filha única não ajudou, sempre foi aquilo e outro, há sempre algo melhor e mais a frente, e esforço próprio e conquistas não são devidamente valorizado. Cada pessoa é diferente e não deve haver comparações, objectivos, concretizações e modos de vida diferentes. É um grande defeito na nossa sociedade. É natural compararmo-nos, mas dizer isso na cara das pessoas já é passar a linha e só traz sentimentos nefastos.

Crescer a nível emocional não foi propriamente um caminho limpo, tal como a história do patinho feio. Demorei a descobrir-me e aos poucos fui construindo a pessoa que sou hoje. Tanto a nível emocional como a nível fisíco. Aprendi a gostar de mim e quero estar sempre a melhorar e criar a minha própria identidade!

Pode ser insignificante ou mesmo puro egoísmo, mas é revoltante quando sinto a imitarem-me, quando foi um esforço de anos, e é uma imagem que realmente gosto de ver ao espelho. Deveria sentir-me lisonjeada, e talvez esteja um pouco, mas ao mesmo tempo há limites para não ser tão evidente. Não gosto de sentir competição, quando não há razões para isso existir ou sentir isso. Não gosto da sensação de quererem superar-me, quando já têm isso!!!

É só porque demorou e tenho orgulho de mim, das conquistas, das transformações, do caminho que tenho percorrido. Criei a minha individualidade, tenho as minhas qualidades vistas e não vistas, os meus defeitos, a minha história, as transformações e cada dia quero ser ainda melhor porque sei que é possível.

 

Pessoas, a sua sensibilidade e o inevitável sentimento de querer ser sempre melhor que a outra.

Sou sensível e frágil, é verdade.