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09
Fev16

conversas paralelas - praxes

   Praxe, esta palavra para muitas pessoas que não sejam desta geração e não estejam por dentro do assunto, esta logo associada a discriminação, humilhação,… e as mortes que ocorreram no meco.

   Provavelmente noutros posts, já devo ter falado um pouco sobre minha experiência, mas nada muito profundo. Como disse num outro post, não tive ninguém próximo que me explicasse como era a vida universitária e muito menos como seria a praxe. Por isso as praxes eram uma coisa que me dava um pouco de receio, era uma atividade desconhecida e tinha aquela ideia (enganosa) de que ia ser rebaixada e obrigada a fazer coisas horrorosas e não poderia dizer que não, senão iria ser ainda pior.

   Entrei para a universidade na 2ºfase, já tinham havido umas 2-3 semanas de aulas, ou seja já tinham havido 2 praxes. No dia em que ia haver praxe, nem estava a contar ir, porque só me avisaram no próprio dia e não estava minimamente preparada, mas como mais algumas pessoas de 2ºfase iam, acabei por ir “arrastada”.

   A universidade de Aveiro tem regras aplicadas à praxe, em conjunto com o Conselho do Salgado que supervisiona, das quais, estas tem que ser fora do campus, praxes sujas só podem ser feitas durante o dia, o dia de praxe é a quarta-feira e pode haver mais umas 2-4 noturnas, não se pode dizer palavrões, …

   Aquela praxe como foi a primeira, foi um choque emocional, que me ficou gravada e lembro-me de tudo o que se passou. Um mundo completamente novo e diferente do que tinha em mente.

   Dirigimo-nos para o local, fizemos o elefante quando estávamos quase a chegar e sentamo-nos. A chamada, um pequeno discurso psicológico dos veteranos sobre o comportamento nas últimas praxes e depois começaram os jogos. A primeira coisa que me mandam fazer foi partir um ovo e limpá-lo com o rabo, fiquei congelada, mas lá acabei por fazer e voltei ao meu lugar, tive mais uns jogos de perguntas, onde punha-se um ovo na cabeça de um colega e se soubesse a resposta carregava-se. Entretanto gerou-se uma confusão e fomos obrigados a sentarmo-nos. Uma lama tinha-se virado contra um veterano com palavras agressivas e empurrando-o e um lodo foi ajudá-la e entretanto foram os dois expulsos da praxe e logo a seguir, praxe psicológica para fazer daquilo uma lição. Passados uns 45 minutos, essa lama e lodo voltam e eram afinal veterano, tinha sido uma praxe revelação. Por ser nova e ter entrado de para-quedas só consegui entender isto umas semanas depois, mas aquilo chocou-me bastante e meteu-me medo no momento da ação e repreensão. Por fim tivemos a tradicional nhanha do nosso curso e fomos para casa sempre acompanhados dos nossos veteranos e mestres. Não foi tão mau como tinha em mente, por isso continuei a ir…

   Sempre quis trajar e fazer parte da comunidade académica e fui até ao fim com as praxes, porém não tenho uma experiência muito boa. Eu era muito tímida, que consegue passar despercebida e assim passava a maior parte do tempo de praxe sentada no meio de mais alguns sem fazer grande coisa, no fim acabava por se tornar um pouco chato. Não quero dizer com isto que a praxe não era divertida, porque era, mas devido ao facto que conseguir passar despercebida não era muitas vezes “chamada”. Sempre houve jogos e outras atividades, principalmente de integração. Tivemos o batizado, pelos nossos patrões/patroas, o tempo passou e chegou o desfile de enterro e foi outra experiência incrível, não tenho muitas palavras para descrever porque é mais a adrenalina de se sentir que propriamente emoções. É uma memória de um ritual de passagem que fica.

   Tive uma patroa, mas a nossa relação não foi muito além da praxe, talvez ambas tivemos um pouco de culpa nisso, mas pronto. Por isso quando finalmente chegou o meu ano de praxar, tentei fazer as coisas um pouco diferentes do ano em que fui praxada, tentar fazer a diferença para quem fosse mais despercebido. Durante as praxes se via alguém mais despercebido, eu mais o meu grupo de amigos íamos ter com essas pessoas e mandávamo-los fazer alguns jogos para se entreterem, e não terem que passar pela mesma experiência que eu. Durante a praxe existe uma hierarquia, mas fora delas somos todos iguais, não há distinções apenas ainda mais convívio! Tive a sorte de ter tido um pedido para ser patroa de uma lama fantástica e prometi a mim mesma que não ia deixar que a nossa relação fosse como a que tive com a minha patroa. Foi um orgulho ter sido escolhido pela minha pedaça do coração, poder batizá-la e poder batizá-la novamente no desfile do enterro. É a minha boneca que me faz ter orgulho nela, na academia que somos todos nós, na vida académica e nos ensinamentos que provém do convívio entre os mais novos e mais velhos. Saber que conseguimos passar isso aos alunos do 1º ano e eles dizerem que afinal a praxe não é má, é divertida e mais uma oportunidade de conviver e conhecer melhor as pessoas do curso, acho que isso é o mais importante! Praxe não é só sujar, humilhar, … vai muito mais além disso, para o convívio, experiências, conhecimento de nós próprios e saber viver a vida académica.

   Conheço pessoas que optaram por não fazer praxe, mas não é por isso que foram excluídas ou coisa parecida porque a vida académica vai para além destas ideias. O convívio e as relações com as pessoas foi igual! Iam na mesma aos jantares de cursos, saídas depois das praxes, …

   Tenho amigos noutras universidades e faculdades e as tradições de praxe e como esta se desenrola maneira varia de sitio para sitio, porque como disse acima cada universidade/faculdade tem as suas tradições e a sua maneira de gerir a praxe. É pena esta tradição antiga, provavelmente, ir extinguir-se nos próximos anos porque para mim é um convívio com diversão, é poder passar o que ensinaram aos novos alunos e poder integrá-los nos melhores anos das suas vidas.

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