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because your smile make me live ♥

so strong, so broken

because your smile make me live ♥

so strong, so broken

26.Out.17

como transformar um novo lar no antigo

É o meu luga mas não o é.

Por mais que me tente sentir confortável, falta agora, faltam várias coisas. Aquela luz natural ao entrar pelo quarto a dentro, no início de um novo dia. Aquele canto que transformava quando me sentava no chão a fazer o que mais me dava prazer. Não ter problemas em ligar-me à internet e estar completamente à vontade. Foram 4 anos a construir o meu canto, o meu lugar seguro e confortável.

Em pequenos instantes, tomei as decisões daquele impasse esgotante que me andava a levar ao limite. Voltar à cidade que me acolheu e se tornou no meu lar, arranjar um novo quarto para habitar, continuar o meu percurso acadêmico. É complicado mudar de ambiente, com alguns não's que não deixam aparecer aquele sentimento, que é um sítio em que me sinta realmente bem. Apesar de o ambiente acadêmico ser o mesmo, é uma nova vertente, fora do que estou habituada, talvez um pouco fora da minha zona de conforto.

Uma nova rotina, não houve tempo para imaginar como iria ser. No meio espaço aproveitei para descansar e viver um pouco sem as preocupações que me assolam todos os dias, ter as merecidas férias. É o choque de ver a realidade à frente dos meus olhos e a ilusão que o meu cerebro cria como mecanismos de defesa.

É simples, mas não o é. A minha mente cria filmes e alimenta os pequenos monstros que me provocam o medo de como sera? Irá ser sempre assim daqui para a frente? Como é que posso pôr um travão nesta maneira que me sinto? Como posso mudar e criar o meu espaço confortável e seguro?

O vento tanto leva, como traz. É assim que a minha mente age. Pensar no que fazer, começar a agir, ou planear, saber que estou no controlo. Não ser capaz de sentir aquela segurança, pensar continuamente que falta algo e afetando todo o resto.

16.Out.17

cidade rodeada, cidade desfigurada

Devastador!
Tão perto, mas tão longe.

Tentar ir dormir com um coração enorme no peito, ter ouvido o início das notícias que o fogo começou a rodear a minha cidade e a minha aldeia. Acordar, percorrer o feed e aperceber-me da realidade, não restou "quase" nada. Finalmente conseguir falar com os meus pais, sentir o meu coração a diminuir à medida que ouvia o relato do que não restou.

Ninguém dormiu. Aflição por ver as chamas tão perto, por ver as labaredas a pousar num local e começar um novo foco de incêndio ou esperar que isso não aconteça. Medo do som de explosões de carros a explodir, aramazéns a serem desvatados. O movimento de pessoas na rua a tentarem salvar os animais quando o fogo esta a metros de casa. Tentativas de escapar, mas as estradas estão cortadas pelas chamas e não há para onde fugir, existe apenas uma espera que passe rápido e que se salve pelo menos as vidas. 

O dia começo pintado de um negro que continua a parecer noite, os estragos começam a ser visíveis e há apenas uma palavra calamidade! O pouco que restava verde despareceu, os espaços mais improváveis pintaram-se de cinzas e preto. Sem luz, sem água, comunicações cortadas. Contam-se estragos, vidas perdidas, pede-se ajuda e aguarda-se pela tão esperada chuva. 

O dia acaba, aos poucos a luz e água voltam, as comunicações continuam demoradas e com interferências. O abalo continua no ar, o choque de uma calamidade faz-se sentir nas pessoas que perderam tudo, nas que viveram a aflição, nas que ficam a espera de notícias.

Calamidade! Em pleno outono ocorre o pior dia de incêndios, um dos mais devastadores dias para um concelho e um país. É devastador ver as imagens e vídeos, será ainda pior quando voltar de fim de semana e vir com os meus próprios olhos. Destruição, ausência, vazio.

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Tondela, 17 de Outubro de 2017