30 + 1
Perfecionismo? Era só uma máscara para esconder o enorme medo de falhar e as entranhas a gritar de insuficiência. Por isso, questionamentos são uma conversa diária. A minha presença inconstante, rodeada por histórias que querem ser contadas, mas nem sempre acabam escritas.
Disciplina? Sofreu mudanças ao seguir as longas raízes que me levam àquele quarto onde os monstros e eu passamos a conviver. Um conforto que abracei porque afinal a inspiração vem das feridas e dos lugares que recebem raios de luz.
Persistência? Se calhar é mais casmurrice. Quero continuar agarrada a tudo o que me dá gozo, só que a energia e tempo nem sempre estão de acordo e cada vez empurram-me para fazer escolhas.
Dúvidas? Aumentam como fissuras de um terramoto, abanam as paredes por dentro e por fora, engolem e cospem versões sem aviso.
Isto porque antes vivia para uma secção diferente. Entrar no patamar dos 30 não trouxe uma crise, trouxe mudança com novos sinais, significados, cores, habilidades e criatividade. Gradualidade sem direção mas com sentido.
31 anos.
A estrutura deste texto palavras deveria ser algo mais leve, solto, pleno... Só que estou aqui marcada enquanto agarro nas cordas do pequeno barco do meu ser que navega pelas ondas inconstantes. De quem sou, de reestruturar-me com uma visão: mais conhecimento, mais ferramentas, mais percepções acompanhadas de um lado sensível de entendimento.
No entanto, é bolha envolvida em dormência e em modo mecânico.
Uma impostora. Coloco parte de mim nas minhas personagens e é aí que encontro refúgio, quando o mundo interno e externo ficam altos demais.
Constantemente à espera e com medo de agir, sempre a apanhar pedaços e a duvidar desses mesmos. Birras que adoram andar de mãos dadas com a ansiedade. A paralisia para algumas tarefas e hipersensibilidade para outras. Só que no final do dia, engulo tudo e dou a cara, por mais que doa, por mais que as feridas sangrem, por mais que as lágrimas não caiam.
Não navego só pelas ondas e tempestades, agarro-me às cordas e tento controlar as velas. A constante procura virou render-me ao que está disponível. Não é só celebrar, é reclamar o que permaneceu em pé, o que floresceu das partes dolorosas.
Porque diante de um espelho, a encarar o nu e cru, continuo sem reconhecer-me perante todo o esforço de tentar encontrar os pedaços partidos e espalhados. Os constantes questionamentos, as dúvidas, os medos, enfrentar a síndrome da boazinha, aprender e dizer não, estabelecer limites e não ficar envolvida nessas espirais.
Aos 31, sou a história que não precisa de ser entendida apenas continuada. O sangue a pulsar pelo que escolhi. Ser lembrada não pela docilidade, mas pela ferocidade de permanecer em pé.








❧Fairy🎔Tail☙
❧Black🎔Clover☙
❧🎔☙
❧🎔☙
❧🎔☙
❧🎔☙
❧🎔☙