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because your smile make me live ♥

forceful, trust, connected & discovering the wonders of the universe ✨

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26
Jul20

187 dias de uma aventura de uma vida!

alma de bii yue

Estou de volta à portugal. Após um dia para matar saudades do meu namorado e o fim-de-semana para re-organizar e destralhar o meu quarto (minimamente, tentei o meu melhor)liguei o pc para escrever.

Foram 187 dias a viver sozinha em bruxelas, numa casa partilhada com uma outra rapariga e uma familia (que como em todas as minhas experiências não é uma experiência linear), a realizar um estágio de 6 meses que me trouxe tanta aprendizagem e crescimento, a criar amizades que me trouxeram boas memórias e principalmente um suporte que não estava a espera. Só tenho a agradecer e sinto uma gratidão e orgulho enormes por ter dito que sim. Por mais que tivessem havido dias difíceis, a minha saúde ter começado a ficar frágil, as saudades e ansiedade a gritarem e deitarem-me abaixo, foi bastante recompensante. 

Amei! Não existe outra palavra para descrever estes 6 meses, mesmo com uma quarentena por o meio. Tudo chegou no momento certo e eu estava a precisar de estar completamente sozinha, a conectar comigo própria, a descobrir e lidar com o meu lado sombra, a crescer e aos poucos ir tornando-me numa pessoa mais adulta. Mudar de meio, estar numa cidade que me pareceu tão familiar, conhecer pessoas que me deram tão bons momentos de convívio. Os portugueses que foi um comforto, a ida para lá foi bastante complicada e chegar à empresa e descobrir que português também esta em todo o lado. Ajudava a acalmar o coração, a sentir-me um pouco mais em casa. E um mês depois os espanhóis começam a chegar um por um, e através de um casual ajuntamento meu para visitar uma cidade começou a jornada de ser obrigada a entender espanhol, libertar-me de máscaras e ser eu própria (aquela criança sempre que via um animal ou algo fofo, a rabugenta que só acalmava quando estava finalmente a comer, a acelarada e sem paciência, a pessoa do "I don't care") e ser completamente aceite. Não esperava encontrar grupos que me voltassem a preencher, e o universo trabalha de maneiras simples e lindas e tenho coração cheio de gratidão. 

Parece que tudo foi um sonho, que esse tempo não aconteceu por estar de volta à "velha vida e ambientes". Mas suponho que é até começar a bater aquela saudade e começar uma nova-velha rotina. Ainda estou a cair em mim e assimilar tudo o que estes últimos meses me trouxeram...

A minha viagem de volta era na quinta de manhã, pelo que passei metade da noite no aeroporto e foi melhor que da última vez, quando fui visitar o meu namorado de erasmus em cracóvia. Não sei como, o sono não me veio, estava demasiado absorvida e mais uma vez a viver com aquela sensação de estar fora do eu corpo e simplesmente a absorver. Uma escala em frankfurt que estava constantemente a olhar para o relógio e as tipicas 6-7 voltas ao porto com um atraso de mais de 20 minutos para conseguir aterrar por estar bastante nublado e pista nunca estar completamente livre. Mais uns 20 minutos à espera que as malas aparecessem e finalmente o momento de sair para fora do aereoporto, vê-lo e abraça-lo! Foi como levar com um murro e ficar sem ar de toda a saudade e saber que estava segura novamente. Esse dia foi para gastar toda a pouca energia que tinha, recuperar tempo perdido e ao final do dia assim que fui para a cama, dormir que nem um anjo de todo o cansaço e emoções. O dias seguinte foi começar a matar saudades de amigos, dos meus pais e dos meus animais (sendo que o gato gordo dos meus pais continua chateado comigo e a fugir de mim, mas por chamada reagia sempre à minha voz). Passei 2 dias a re-organizar o quarto, quando finalmente destralhava/arrumava uma parte, logo a seguir vinha outra e a cama ficava novamente cheia e ainda estou em modo lento e o eu corpo a re-habituar. 

E agora? Desempregada! Quero aproveitar o tempo para fazer férias, retomar projectos que ficaram em stand-by, aprofundar o meu desenvolvimento pessoal e viver.

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17
Jul20

Getting to the end of the adventure

alma de bii yue

I feel numb.

I feel emotional. 

I feel a volcano inside of myself.

Disconnected.

Connect in other ways.

I feel like I'm inside of a movie. With those moments of music in the background, the wind in your hair, the perfect weather or the sound of rain, looking outside and then inside. Realizing that this whole adventure is happening and happened but at the same time feels like a dream.

This chapter is getting to an end, my life is slowing down. When everyone around me still has their lives moving so fast. When my life is still moving fast on the outside but inside, I'm sitting in my special place and seeing outside my body.

I don't wanna say goodbye. Give that last words. And then the uncertainty if I will ever see them again... The uncertainty of a future that I have no control.

I created a new life, found the new me. Learned to live and enjoy even more each moment. And in the between I passed throught a lockdown in another city alone.

But I miss my home so much. Although it seems that it was in another life, is where everything started.

07
Jul20

Fim de semana em Paris

alma de bii yue

E não é que a pessoa que não gosta de certos cliché, foi a cidade mais cliché do mundo. Paris nunca esteve no sonhos, apenas acontece estar perto e ser um dos países para os quais já se pode viajar. O que queria mesmo era ter ido a Versalhes e as catacumbas que não aconteceu, por isso talvez numa próxima. A cidade é bonita, a Torre Eifel e o bairro perto do Sacre Soeur tem um certo encanto, sendo os locais que mais gostei. No entanto, continuo a achar que é overrated (já devem saber que sou um pouco do contra e cada um tem a sua opinião) e é bastante romantizada devido aos filmes e pedidos de casamento. Dou-lhe um 8,5/9 numa escala de 10, após 33 km a pé durante 2 dias.

Decidimos ir na sexta a noite e após 4 horas de viagem de autocarro, foi diretamente para a cama com o cansaço. No sábado fomos tomar o pequeno-almoço as Galerias Lafayette, mais especificamente ao Chez Meunier. Rumo ao Museu do Louvre, que estava fechado com muita pena minha, passando a ponte de Arts seguindo para a Catedral de Notre-Dame. Continuamos até aos Jardins do Palácio do Luxemburgo e a hora de almoço fomos experimentar os típicos crepes (que não são nada maus e não me lembro do nome do sitio) e a seguir tomar café no Dose Coffe Dealer. A tarde fomos aos jardins dos Champs-élyées e rumo ao Arco do Triunfo por aquela avenida que faz o ser humano sonhar. Após ficar sem fôlego devido a mascara, a subir em espiral escadas que pareciam não ter fim chegamos ao topo do arco e a vista é de cortar a respiração! Descer novamente com mais tonturas que nunca e as pernas a tremer como varas verdes de todo o esforço até então. O culminar é na icónica Torre Eifel e Jardins do Trocadéro. Foi nesse momento que comecei a gostar porque não da para ficar indiferente a paisagem. Fomos a procura de um restaurante onde encontrei o nosso querido Luís de Camões e acabamos no restaurante do Marcello, onde comi italiano que me alegrou corpo e alma. Voltamos a Torre Eifel para a ver iluminada e é lindo, fica um ambiente magico, só tenho imensa pena de estar nublado e não ter visto a lua cheia magnifica que também estava. De volta ao hotel onde cada uma aterrou pouco depois de estar na cama. 

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No domingo fomos tomar o pequeno almoço ao Le Studio Café e visitar o Sacre de Coeur. Andamos por esse bairro, passando pelo muro das diversas linguagens de amo-te, pela estátua da Dalida e voltamos as Galerias Lafayette para ver a paisagem. Fomos almoçar ao Buffalo Grill, local que adorei pela vibe indígena e country. Seguimos por essa avenida até voltar ao hotel para ir buscar as malas e ir apanhar o autocarro. Por um questão de minutos que conseguimos, porque primeiro tivemos problemas a entrar no metro e depois atrasou-se e chegamos no exato momento que estavam a fechar as portas.

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Posso dizer que Paris é uma cidade mais limpa que bruxelas, desinfetam as ruas e a grande maioria das pessoas usa mascara nos transportes e estabelecimentos públicos (apesar de aqui haver um pouco de relaxamento) e há imensa gente (apesar que disseram que não havia quase ninguém comparado a alturas que já tinham ido)

De volta a bruxelas ventosa cansada, com dores de pés e com o músculo do pé direito a fazer-se ouvir ao subir e descer as escadas de casa. Mas grata pelo fim de semana, pelos momentos passados, por ser a portuguesa criança no meio dos espanhóis que se tornaram aquele grupo que vou levar no meu coração, por ter tido aquele sentimento de é tudo no tempo certo e esta tudo bem.

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24
Jun20

Só mais 1 mês 

alma de bii yue

Contagem decrescente "oficialmente", porque viajar de avião é tudo menos certeza neste momento. Marquei a viagem de regresso no inicio de maio para um dia, 2 semanas depois mandaram a cancelar e marcar para o dia antes. Há duas semanas lembrei-me de ir ver porque precisava do recibo e descobri que tinha sido cancelada e não me tinham re-marcado mais nenhuma. Conclusão: não existem voos diretos para o porto em nenhuma companhia, vou ter que fazer escala e passar uma nada confortável noite passada no aeroporto.

O tempo esta a voar, ainda há pouco tempo tinha começado uma quarentena e agora estou prestes a acabar eramus e voltar para portugal. As saudades são muitas, sinto imensa falta do conforto de ter a minha casa, o calor humano e estar nos braços da pessoa que se ama, da minha família, amigos, das pessoas e da cidade, do mar e natureza em menos de 20 minutos. No entanto, também começa haver aquela lágrima escondida no canto do olho. Ter que me despedir de pessoas com quem acabei por criar uma amizade e me aturam todos os dias! (neste fim-de-semana cheguei a conclusão que a minha paciência é escassa e coitados de terem que me ouvir, e sou uma criança no que toca a animais e coisas fofas, mas nunca fui tão o eu verdadeira como o sou agora!), encerrar um capítulo de estágio e que me trouxe tantas aprendizagens. Deixar uma cidade onde me sinto tão confortável e onde aconteceu tanto desenvolvimentos pessoal e momentos de tanta sicronicidade e deja-vus

O que se segue é um enorme não sei, é o que vier e o que o universo me oferecer. De momento, estou a evitar pensar no futuro e apenas aproveitar os últimos cartuchos desta experiência de erasmus.

01
Jun20

Olá Junho

alma de bii yue

2 meses para voltar à Portugal, para acabar esta aventura de estar sozinha comigo mesma e ter consciência de como é o mundo do trabalho. Parece que já foi há muito tempo, mas também à pouco porque passou tão rápido, mesmo com uma quarentena pelo meio. E as saudades são cada vez mais e mais, quero estar ao pé das pessoas que amo, dos lugares que me deixam realmente comfortável.

Março foi um mês bastante intenso! Uma nova rotina e uma nova adapatação à rotina, ao trabalho que esta a colocar-me à prova, porque stress e ansiedade decidiram ser os melhores amigos e de vez em quando convidam o pânico para se juntar à festa privada. Um tremendo trabalho interno a acontecer, é uma revolução dentro do meu ser, um despertar que parece lento mas que esta a ir ao centro do meu ser e abanar toda a estrutura. Há muita mudança à nível psicológico e espiritual, que se esta a refletir a nível físico e as minhas crises estão a voltar e a exigirem serem ouvidas e toleradas. Como se fosse fácil e não caísse numa espiral de desespero onde eu própria não sei como contornar.

Continua a ser uma guerra entre querer ficar em casa, porque foram 2 meses e uma pessoa ficou confortável, só que começa a ser duro suportar o silêncio e a falta de conviver, e aproveitar o sol e calor e o tempo de resta mas o mundo lá fora é uma segurança falsa, porque nós podemos estar a respeitar as normas de segurança, mas e os outros...

Ontem foi o último dia da minha colega de casa, hoje ela voltou para Itália. Sei que nos próximos dias vai pesar estar sozinha e não ter aquela companhia ao jantar ou os encontros ocasionais na cozinha para ter conversas profundas sobre a humanidade, sobre o tudo e nada. Para quem me acompanha há mais tempo, sabe que nem sempre tive as melhores experiências a viver com outras pessoas. Apesar das nossa diferenças, ela é uma daquelas pessoas que é tão fácil conversar por ser tão compreensiva, tolerante e já ter tido outras experiências de erasmus. Uma quarentena de quase 2 meses veio colocar mais importância nos encontros sociais pela casa quando a solidão batia forte. Sou mesmo agradecida pelos pequenos gestos.

Junho, será um mês com trabalho em diversas vertentes, retornar à vida neste mundo com novas regras, um acordar espiritual silêncioso mas expansivo. Focada em aproveitar toda e qualquer oportunidade, talvez seja a sede de saber e ver os efeitos de me ir curando. Controlar os sintomas físicos e aprender a lidar novamente com esta ansiedade crescente. E esperar...

Quanta mais compreensão temos sobre nós, mais compreensão temos sobre os outros.

23
Mai20

és tu vida social?!

alma de bii yue

Ter ficado sozinha comigo mesma não foi fácil, mas era necessário, porque foi o começo de lidar com o que mete medo. Sou uma pessoa de hábitos e rotinas e acabei por me habituar a estar no meu mundo. Esta vida após quarentena é um reajuste, mas sabe a vida voltar a ter vida para além de 4 paredes.

Aos poucos a retornar a vida real, trabalhar e socializar. Após tanto tempo a conservar a minha energia e estar no meu cantinho, o cansaço e exaustão são mais sentidos. Passar de um sedentarismo para o ritmo usual, mas que a maioria de nós foi obrigada a deixar de ter. Caminhar, estar em pé, sentar, estar em pé, sentar, caminhar. O meu corpo sofreu e esta a sofrer. Nunca pensei que tivesse ficado tão sedentária! Fadiga, lesões antigas que voltaram devido a ter passado de 8 a 80, falta de tempo.

Estar entre pessoas aquece a solidão, retomar ao ponto onde tudo foi obrigado a parar, descobrir mais sobre as pessoas. Convívio em formas alternativas, em espaços abertos e os parques nunca foram tão valorizados, picnics acompanhados de cartas, uma cerveja belga para acabar um belo dia de calor. Verdades camufladas reveladas porque as sicronicidades são singulares. Como sabe bem ter a liberdade de ser quem sou, não pensar duas vezes antes de dizer algo ou agir de certa maneira. Exige vunerabilidade, estar receptiva às energias e ao momento. 

É uma versão meia distorcida da realidade que conheciamos, mas continua a ser boa. A diferença é que exige mais cuidados e um repensar bem repensado de certos hábitos e costumes.

17
Mai20

A saudade voltou

alma de bii yue

Passou-se uma quarentena, de volta ao trabalho mas ainda com alguns dias em tele-trabalho. Um novo projeto, uma nova rotina, novos hábitos para ficar, uma nova realidade, um novo mundo sem ter deixado de ser o mesmo

Aquela saudade tornou-se excruciante. O sentimento piorou drasticamente. Os dias são penosos, as noites voltaram a tornar-se longas e solitárias.

Todo um entusiasmo para criar um vision board sabendo que erasmus iria acontecer. Aventuras que irão ficar na minha imaginação até surgir outra oportunidade de voltar à europa sem uma crise pelo meio. Digo e minto à mim própria que há que ajustar ao momento que se vive, e aproveitar o que der para aproveitar. Mas a verdade é que já não é o mesmo, deixou de fazer sentido por todos os planos e desejos que tenho.

Muita tranformação a acontecer. Muitos pensamentos a ir e vir. Muitas emoções ao vir ao de cima.

O meu coração quer voltar ao que lhe é conhecido e confortável. A minha razão sabe que o importante e paupável é continuar. E quem vive entre estes confrontos é o meu corpo. 

28
Abr20

A despedida

alma de bii yue

Quando ele foi embora, fui capaz de escrever logo a seguir sobre o momento. Mas quando foi a mim, não consegui. Era muita coisa para digerir, e agora têm-me vindo à memória esses momentos. Parece que já foi há imenso tempo, há 3 meses, mas com toda esta situação os dias são mais longos do que realmente são....

Despedir-me dos meus pais foi a primeira facada no coração, acho que eles aguentaram melhor as lágrimas do que eu. Na viagem para Aveiro, ia agarrada a fazer festinhas ao kokie, e numa tentativa escusada de segurar as lágrimas e com o pensamento que só ia ser pior no dia seguinte. 

Aquela noite pareceu como tantas outras, conversas longas no sofá, a rotina de ir para a cama, ele e o gato às turras, netflix. Incrivelmente adormeci rápido e passadas poucas horas o despertador toca. Arrumar o resto das coisas na mala, arranjar-me e despedir-me de uma casa, completamente abraçada ao kokie a conter as lágrimas e conseguir deixá-lo ir. 1 hora e meia depois estava no aeroporto, com o corpo a começar a tremer e já com um aperto enorme no peito. À entrada da segurança, abraçada a ele, por longos minutos, e sem coragem para o deixar ir, as palavras ainda ecoam na minha cabeça, os carinhos. Após algumas lágrimas, passo a segurança, eu do lado de dentro, ele do lado de fora, separados por um vidro. Até que ele tem que ir embora e aqueles últimos segundos ficaram gravados na minha memória.

Tinha que engolir as lágrimas, entrar em modo automático, e consegui até chegar à porta de embarque e tudo deixar de fazer sentido. A ansiedade começa a tomar conta, tremores, dificuldade em respirar, lágrimas que escorrem sem parar. O que estava a fazer? Largar tudo o que conhecia para trás. Ir sozinha numa aventura para outro país. Não era capaz, não estava pronta. Queira abortar missão, voltar atrás na decisão. Queria voltar para os braços dele, para a nossa casa. Estive bem perto de largar tudo, o meu corpo e coração pediam para desistir e a minha razão estava com enorme vontade de ceder. 

Tinha imensas saudades de andar de avião, mas não consegui aproveitar o lindo nascer do sol acima das nuvens. O meu corpo não parava de tremer, estava extremamente enjoada dos nervos e passei maior parte da viagem com os olhos fechados a tentar ficar meia adormecida. O avião aterrou, já não havia volta a dar. Tive sorte de ter quem me ajudasse no primeiro dia e com uma enorme paciência, porque não conseguia parar de chorar, o desespero de estar sozinha e comigo mesma gritavam bem alto, aqueles pensamentos: não sou capaz, quero e preciso de voltar, porque é que tomei aquela decisão, o que estou a fazer com a minha vida, continuavam bem presentes. Cansaço, medicamento e após muito choro, o corpo e mente adormecem.

Foi um dia longo, doloroso, passado em dois países, com imensas emoções à flor da pele, com muita lágrima e com um buraco enorme no lugar do coração. Aguentei, como conseguia naquele momento. Tentei ser o mais racional possível, mas sou uma pessoa emotiva. 

Custou terrivelmente, não dá para conter as lágrimas ao rever aquele dia. Custa cada dia que passa, com uma saudade pesada e uma vontade de voltar de voltar para ele. 

Só quero estar nos teus braços novamente.

21
Abr20

Quando ciclos estão a chegar ao fim

alma de bii yue

Tomei consciência que a minha alma esta a pedir luto.

É muita emoção que o meu coração carrega. Numa roda de ganhos e lutos, fez-se o clique e tudo isto veio ao de cima, o lado sombra veio abraçar-me, parei para pensar no porquê de estar a sentir-me tão pesada... Tristeza, medo, nostalgia, saudade, frustração, concretização, orgulho, tranformação, despertar, amor.

Luto por o programa "este é o momento faz a tua prioridade" ter chegado ao fim. Luto por o programa "conecta-te ao amor" também estar a uma sessão de chegar ao fim. Luto pelas vidas que tive, a de portugal e de bruxelas antes da pandemia. Luto por não ir conseguir concretizar as viagens que tinha planeado e ir sentir-me a falhar. Luto por não me sentir produtiva e ter energia. Luto pela pessoa que era há um ano atrás, quando comecei a jornada de desenvolvimento pessoal, pela pessoa que era no início dos 2 programas. Luto pelas crenças limitadoras que consegui libertar, pelo desapego que fui praticando. Luto pelo tempo de medo e incógnita que estamos a viver. Luto por ter as almas que me fazem vibrar no amor estarem tão longe de mim. Luto pela incerteza do futuro. Luto pela dificuldade de ser adulto. Luto pelas crenças limitadoras e apego que ainda trago. Luto por nem sempre manter a rotina. Luto por haver dias em que estou completamente desconectada, especialmante em algo que sempre desejei desde o início. Luto por deixar-me levar pelas vibrações mais baixas. Luto por complicar o simples. Luto pelo peso que tudo isto traz para o meu corpo e o meu espírito. 

"Este é o momento faz de ti a tua prioridade" acompanhou-me no processo da mudança, já fazia parte da rotina às terças e domingos entrar no zoom e sentir aquele ambiente de partilha. Ajudou-me bastante, já não sou a pessoa que era, deu-me as ferramentas que precisava sempre no tempo certo. Hoje fui ver o caderno e fiquei tão orgulhosa e estupefacta por uma das crenças que tinha escrita já não existir! Desde pequena que sempre me via como uma pessoa de pequenos azares, e a verdade é que hoje em dia continuo a tê-los. Mas já não penso que são azares, são coisas que acontecem por alguma razão externa ou interna a mim. Não sei quando deixei de pensar assim, mas nunca mais tive esse pensamento. E isto é simplesmente lindo. Há muitas outras coisas que fui integrando e ver a evolução é extraordinário. Porque não é um caminho simples, exige trabalho, dedicação e amor. Foram meses, 8 módulos percorridos (espiritual, mental, físico, psicológico) sobre amor próprio, essência, espiritualidade, relações, propósito de vida, transpessoal. Sou imensamente grata pela oportunidade que apareceu à minha frente. 

"Conecta-te ao amor", veio fazer com que olha-se para mim de uma perspetiva externa e mais profunda. E apesar de só ainda ter trabalhado certos assuntos, os outros serão com o tempo, comecei a ver feridas que nem imaginava que tinha (nem tudo é só nosso), comecei a conectar-me verdadeiramente comigo a todos os níveis, comecei a despertar ainda mais como mulher e como ser de luz e sombra. Começar a tirar as camadas e ir ao fundo do que sou e o que trago inconscientemente e involuntariamente comigo e é assustador, é demasiado real, mas também é libertador e as mudanças vão acontecendo sem dar conta. Os nós começam a desfazer-se e  as coisas simplesmente acontecem. 

Sou imensamente grata pelas oportunidades que apareceram à minha frente, não só as que estão a acabar mas também as que estão a começar. É um investimento em mim, que não me arrependo porque trouxe tanta magia e descoberta para a minha vida.

Sentir o negativo é algo que o ser humano automaticamente quer ignorar, mas é tão importante e necessário como com o positivo. Faz parte do ciclo da vida, viveu-se e há que dar espaço e consolo a nós próprios para sentir. É pesado, é duro, é um luto. Estão a começar a fechar-se ciclos, para eventualmente outros se abrirem. Sentir e confiar, ouvir o coração e a intuição.

Mais uma vez tudo se encaixa com uma sintonia preciosa e graciosa. 

18
Abr20

De mãos dadas

alma de bii yue

A nostalgia e saudade são constantes nos dias de hoje. A memória teima em ir buscar pedaços do que conforta o coração, mas também o sabe deixar bem pequenino.

É uma vida que parece tão distante, mas foi a qual onde me senti mais realizada. É um sentimento muito estranho, tudo o que vivi parece que já foi há bastante tempo atrás. Sabe bem ir ver as fotos, trazer à memória momentos marcantes, aconchegar o espírito e deixar as emoções fluir. Parece palpável, mas está tão longe...

Sinto-me deslocada, entre duas vidas, entre dois mundos. É uma saudade enorme, memórias que fluem naturalmente e constantemente, cria uma nostalgia. As saudades de tudo, tuas, do gato, da família, dos amigos, do nascer do sol, da rotina na nossa casa, de ser dona de casa, de ter a minha liberdade dentro de casa, de ter o carro e simplesmente ir, dos fins de semana de passeio, das tardes passada no sofá, dos pequenos gestos ao inicio e final do dia, de ir para a natureza, de ir ver o mar. 

Porque toda esta incerteza, toda esta obrigação de ter que me mentalizar que só vou voltar a abraçar as pessoas quando regressar à Portugal, cria este gap entre estas duas vidas. A do passado e a do presente. É estranho, é frustrante, é doloroso, mas talvez faça parte. Porque ao fim de dias passados fechada em casa, mais propriamente um quarto, com a mesma rotina e lutar contra os demónios que teimam em voltar, a balançar o lado negro com o lado da luz, tudo vem ao de cima. 

A minha essência mantêm-se, continuo a ser a mesma pessoa mas já não sou a mesma. Tenho vindo a crescer e a cada dia que passa há sempre algo novo para tomar consciência, que aprendo, que sei que tenho que lidar, insights de qual é o caminho a seguir. 

Sei que esta discrepância é para me ensinar. Não é fácil lidar com a saudade e este sentimento de nostalgia. Da vida que vivia com a vida que vivo agora. O quanto mudou em todos os níveis, o quão distante parece e a fugir por entre os dedos. Abre e reabre feridas, nesta altura onde o tempo perdura e obriga a lidar com o que é necessário e o que vai surgindo.

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