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because your smile make me live ♥

forceful, trust, connected & discovering the wonders of the universe ✨

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23
Mai20

és tu vida social?!

escrito por bii yue

Ter ficado sozinha comigo mesma não foi fácil, mas era necessário, porque foi o começo de lidar com o que mete medo. Sou uma pessoa de hábitos e rotinas e acabei por me habituar a estar no meu mundo. Esta vida após quarentena é um reajuste, mas sabe a vida voltar a ter vida para além de 4 paredes.

Aos poucos a retornar a vida real, trabalhar e socializar. Após tanto tempo a conservar a minha energia e estar no meu cantinho, o cansaço e exaustão são mais sentidos. Passar de um sedentarismo para o ritmo usual, mas que a maioria de nós foi obrigada a deixar de ter. Caminhar, estar em pé, sentar, estar em pé, sentar, caminhar. O meu corpo sofreu e esta a sofrer. Nunca pensei que tivesse ficado tão sedentária! Fadiga, lesões antigas que voltaram devido a ter passado de 8 a 80, falta de tempo.

Estar entre pessoas aquece a solidão, retomar ao ponto onde tudo foi obrigado a parar, descobrir mais sobre as pessoas. Convívio em formas alternativas, em espaços abertos e os parques nunca foram tão valorizados, picnics acompanhados de cartas, uma cerveja belga para acabar um belo dia de calor. Verdades camufladas reveladas porque as sicronicidades são singulares. Como sabe bem ter a liberdade de ser quem sou, não pensar duas vezes antes de dizer algo ou agir de certa maneira. Exige vunerabilidade, estar receptiva às energias e ao momento. 

É uma versão meia distorcida da realidade que conheciamos, mas continua a ser boa. A diferença é que exige mais cuidados e um repensar bem repensado de certos hábitos e costumes.

17
Mai20

A saudade voltou

escrito por bii yue

Passou-se uma quarentena, de volta ao trabalho mas ainda com alguns dias em tele-trabalho. Um novo projeto, uma nova rotina, novos hábitos para ficar, uma nova realidade, um novo mundo sem ter deixado de ser o mesmo

Aquela saudade tornou-se excruciante. O sentimento piorou drasticamente. Os dias são penosos, as noites voltaram a tornar-se longas e solitárias.

Todo um entusiasmo para criar um vision board sabendo que erasmus iria acontecer. Aventuras que irão ficar na minha imaginação até surgir outra oportunidade de voltar à europa sem uma crise pelo meio. Digo e minto à mim própria que há que ajustar ao momento que se vive, e aproveitar o que der para aproveitar. Mas a verdade é que já não é o mesmo, deixou de fazer sentido por todos os planos e desejos que tenho.

Muita tranformação a acontecer. Muitos pensamentos a ir e vir. Muitas emoções ao vir ao de cima.

O meu coração quer voltar ao que lhe é conhecido e confortável. A minha razão sabe que o importante e paupável é continuar. E quem vive entre estes confrontos é o meu corpo. 

28
Abr20

A despedida

escrito por bii yue

Quando ele foi embora, fui capaz de escrever logo a seguir sobre o momento. Mas quando foi a mim, não consegui. Era muita coisa para digerir, e agora têm-me vindo à memória esses momentos. Parece que já foi há imenso tempo, há 3 meses, mas com toda esta situação os dias são mais longos do que realmente são....

Despedir-me dos meus pais foi a primeira facada no coração, acho que eles aguentaram melhor as lágrimas do que eu. Na viagem para Aveiro, ia agarrada a fazer festinhas ao kokie, e numa tentativa escusada de segurar as lágrimas e com o pensamento que só ia ser pior no dia seguinte. 

Aquela noite pareceu como tantas outras, conversas longas no sofá, a rotina de ir para a cama, ele e o gato às turras, netflix. Incrivelmente adormeci rápido e passadas poucas horas o despertador toca. Arrumar o resto das coisas na mala, arranjar-me e despedir-me de uma casa, completamente abraçada ao kokie a conter as lágrimas e conseguir deixá-lo ir. 1 hora e meia depois estava no aeroporto, com o corpo a começar a tremer e já com um aperto enorme no peito. À entrada da segurança, abraçada a ele, por longos minutos, e sem coragem para o deixar ir, as palavras ainda ecoam na minha cabeça, os carinhos. Após algumas lágrimas, passo a segurança, eu do lado de dentro, ele do lado de fora, separados por um vidro. Até que ele tem que ir embora e aqueles últimos segundos ficaram gravados na minha memória.

Tinha que engolir as lágrimas, entrar em modo automático, e consegui até chegar à porta de embarque e tudo deixar de fazer sentido. A ansiedade começa a tomar conta, tremores, dificuldade em respirar, lágrimas que escorrem sem parar. O que estava a fazer? Largar tudo o que conhecia para trás. Ir sozinha numa aventura para outro país. Não era capaz, não estava pronta. Queira abortar missão, voltar atrás na decisão. Queria voltar para os braços dele, para a nossa casa. Estive bem perto de largar tudo, o meu corpo e coração pediam para desistir e a minha razão estava com enorme vontade de ceder. 

Tinha imensas saudades de andar de avião, mas não consegui aproveitar o lindo nascer do sol acima das nuvens. O meu corpo não parava de tremer, estava extremamente enjoada dos nervos e passei maior parte da viagem com os olhos fechados a tentar ficar meia adormecida. O avião aterrou, já não havia volta a dar. Tive sorte de ter quem me ajudasse no primeiro dia e com uma enorme paciência, porque não conseguia parar de chorar, o desespero de estar sozinha e comigo mesma gritavam bem alto, aqueles pensamentos: não sou capaz, quero e preciso de voltar, porque é que tomei aquela decisão, o que estou a fazer com a minha vida, continuavam bem presentes. Cansaço, medicamento e após muito choro, o corpo e mente adormecem.

Foi um dia longo, doloroso, passado em dois países, com imensas emoções à flor da pele, com muita lágrima e com um buraco enorme no lugar do coração. Aguentei, como conseguia naquele momento. Tentei ser o mais racional possível, mas sou uma pessoa emotiva. 

Custou terrivelmente, não dá para conter as lágrimas ao rever aquele dia. Custa cada dia que passa, com uma saudade pesada e uma vontade de voltar de voltar para ele. 

Só quero estar nos teus braços novamente.

21
Abr20

Quando ciclos estão a chegar ao fim

escrito por bii yue

Tomei consciência que a minha alma esta a pedir luto.

É muita emoção que o meu coração carrega. Numa roda de ganhos e lutos, fez-se o clique e tudo isto veio ao de cima, o lado sombra veio abraçar-me, parei para pensar no porquê de estar a sentir-me tão pesada... Tristeza, medo, nostalgia, saudade, frustração, concretização, orgulho, tranformação, despertar, amor.

Luto por o programa "este é o momento faz a tua prioridade" ter chegado ao fim. Luto por o programa "conecta-te ao amor" também estar a uma sessão de chegar ao fim. Luto pelas vidas que tive, a de portugal e de bruxelas antes da pandemia. Luto por não ir conseguir concretizar as viagens que tinha planeado e ir sentir-me a falhar. Luto por não me sentir produtiva e ter energia. Luto pela pessoa que era há um ano atrás, quando comecei a jornada de desenvolvimento pessoal, pela pessoa que era no início dos 2 programas. Luto pelas crenças limitadoras que consegui libertar, pelo desapego que fui praticando. Luto pelo tempo de medo e incógnita que estamos a viver. Luto por ter as almas que me fazem vibrar no amor estarem tão longe de mim. Luto pela incerteza do futuro. Luto pela dificuldade de ser adulto. Luto pelas crenças limitadoras e apego que ainda trago. Luto por nem sempre manter a rotina. Luto por haver dias em que estou completamente desconectada, especialmante em algo que sempre desejei desde o início. Luto por deixar-me levar pelas vibrações mais baixas. Luto por complicar o simples. Luto pelo peso que tudo isto traz para o meu corpo e o meu espírito. 

"Este é o momento faz de ti a tua prioridade" acompanhou-me no processo da mudança, já fazia parte da rotina às terças e domingos entrar no zoom e sentir aquele ambiente de partilha. Ajudou-me bastante, já não sou a pessoa que era, deu-me as ferramentas que precisava sempre no tempo certo. Hoje fui ver o caderno e fiquei tão orgulhosa e estupefacta por uma das crenças que tinha escrita já não existir! Desde pequena que sempre me via como uma pessoa de pequenos azares, e a verdade é que hoje em dia continuo a tê-los. Mas já não penso que são azares, são coisas que acontecem por alguma razão externa ou interna a mim. Não sei quando deixei de pensar assim, mas nunca mais tive esse pensamento. E isto é simplesmente lindo. Há muitas outras coisas que fui integrando e ver a evolução é extraordinário. Porque não é um caminho simples, exige trabalho, dedicação e amor. Foram meses, 8 módulos percorridos (espiritual, mental, físico, psicológico) sobre amor próprio, essência, espiritualidade, relações, propósito de vida, transpessoal. Sou imensamente grata pela oportunidade que apareceu à minha frente. 

"Conecta-te ao amor", veio fazer com que olha-se para mim de uma perspetiva externa e mais profunda. E apesar de só ainda ter trabalhado certos assuntos, os outros serão com o tempo, comecei a ver feridas que nem imaginava que tinha (nem tudo é só nosso), comecei a conectar-me verdadeiramente comigo a todos os níveis, comecei a despertar ainda mais como mulher e como ser de luz e sombra. Começar a tirar as camadas e ir ao fundo do que sou e o que trago inconscientemente e involuntariamente comigo e é assustador, é demasiado real, mas também é libertador e as mudanças vão acontecendo sem dar conta. Os nós começam a desfazer-se e  as coisas simplesmente acontecem. 

Sou imensamente grata pelas oportunidades que apareceram à minha frente, não só as que estão a acabar mas também as que estão a começar. É um investimento em mim, que não me arrependo porque trouxe tanta magia e descoberta para a minha vida.

Sentir o negativo é algo que o ser humano automaticamente quer ignorar, mas é tão importante e necessário como com o positivo. Faz parte do ciclo da vida, viveu-se e há que dar espaço e consolo a nós próprios para sentir. É pesado, é duro, é um luto. Estão a começar a fechar-se ciclos, para eventualmente outros se abrirem. Sentir e confiar, ouvir o coração e a intuição.

Mais uma vez tudo se encaixa com uma sintonia preciosa e graciosa. 

18
Abr20

De mãos dadas

escrito por bii yue

A nostalgia e saudade são constantes nos dias de hoje. A memória teima em ir buscar pedaços do que conforta o coração, mas também o sabe deixar bem pequenino.

É uma vida que parece tão distante, mas foi a qual onde me senti mais realizada. É um sentimento muito estranho, tudo o que vivi parece que já foi há bastante tempo atrás. Sabe bem ir ver as fotos, trazer à memória momentos marcantes, aconchegar o espírito e deixar as emoções fluir. Parece palpável, mas está tão longe...

Sinto-me deslocada, entre duas vidas, entre dois mundos. É uma saudade enorme, memórias que fluem naturalmente e constantemente, cria uma nostalgia. As saudades de tudo, tuas, do gato, da família, dos amigos, do nascer do sol, da rotina na nossa casa, de ser dona de casa, de ter a minha liberdade dentro de casa, de ter o carro e simplesmente ir, dos fins de semana de passeio, das tardes passada no sofá, dos pequenos gestos ao inicio e final do dia, de ir para a natureza, de ir ver o mar. 

Porque toda esta incerteza, toda esta obrigação de ter que me mentalizar que só vou voltar a abraçar as pessoas quando regressar à Portugal, cria este gap entre estas duas vidas. A do passado e a do presente. É estranho, é frustrante, é doloroso, mas talvez faça parte. Porque ao fim de dias passados fechada em casa, mais propriamente um quarto, com a mesma rotina e lutar contra os demónios que teimam em voltar, a balançar o lado negro com o lado da luz, tudo vem ao de cima. 

A minha essência mantêm-se, continuo a ser a mesma pessoa mas já não sou a mesma. Tenho vindo a crescer e a cada dia que passa há sempre algo novo para tomar consciência, que aprendo, que sei que tenho que lidar, insights de qual é o caminho a seguir. 

Sei que esta discrepância é para me ensinar. Não é fácil lidar com a saudade e este sentimento de nostalgia. Da vida que vivia com a vida que vivo agora. O quanto mudou em todos os níveis, o quão distante parece e a fugir por entre os dedos. Abre e reabre feridas, nesta altura onde o tempo perdura e obriga a lidar com o que é necessário e o que vai surgindo.

16
Abr20

3/1

escrito por bii yue

Sicronicidade do universo no seu melhor! Será também um pouco de ironia?

90 dias em bruxelas e 30 dias de quarentena. 

Estou a meio de uma aventura que acabou por ficar estagnada. Os dias são solarentos com a temperatura ideal para ir explorar, mas isso não é mais possível e infelizmente não existe uma data quando poderá voltar a ser. Viagens que ficaram em stand-by, mas continuo com esperança que consiga vir a risca-las da lista. Teletrabalho, ficar dentro de quatro paredes dias e dias à fio. Sair para ir às compras, lavar roupa e passeios rápidos quando não dá para mais conviver comigo mesma tanto tempo no mesmo espaço. Saudades que aumentaram exponencialmente por as viagens terem sido canceladas.

Passou rápido, mas também parece que já é imenso tempo. Sinto-me bem nesta cidade, como se já cá estivesse estado. É algo novo, mas não o é. Tem sido mágico, com sinais, sicronicidades, aprendizagens e ensinamentos. Um despertar poderoso e trabalho contínuo.

E agora vejo-me numa das situações que mais tinha medo, ficar sozinha, isolada. Deparo-me a ocupar o meu tempo com hábitos, pelos quais ganhei imenso gosto praticar, mas também aprendi a respeitar e ouvir o meu corpo e  no fim descansar. Sou obrigada a lidar comigo mesma e ainda estou à procura do equilíbrio. Ir às minhas profundezas, agarrar em toda a força e coragem, todos os ensinamentos e hábitos que mudaram o meu mundo, amparar-me nas expectativas.

É o meio. É preciso paciência. É preciso esperança. É preciso serenidade. É preciso coragem.

26
Mar20

Não é fácil, nunca o é

escrito por bii yue

Sinto-me a ser puxada para os tempos em que estavas de Erasmus. Mas é tudo diferente, o quarto, o país, a maturidade, os papéis. Aprendi imenso e isso poderia trazer algum conforto para o agora, mas não é isso que acontece. Porque os sentimentos e emoções estão presentes, são mais profundos porque viveu-se tanto mais. A diferença foi que cresci, cresceste, crescemos. A nossa visão do mundo mudou e aprendemos a aceitar a realidade ... mas não é fácil, nunca o é.
Durante o dia estou bem, mas assim que a noite se põe tudo fica escuro. O meu humor muda como o dia para a noite, tudo vem ao de cima, aquele aperto no peito não se desfaz, a respiração fica mais curta e não é profunda. 
Estou sozinha, num quarto onde não existem vestígios teus, mas tenho os que guardo na memória, os que trago no meu corpo. O quão quero voltar a sentir-me protegida nos teus braços, a tua pele na minha, a tua respiração junto a mim. Os pequenos gestos de carinho, os toques, sentir-te, ver-te e ouvir-te à minha frente!
Os dias vão passando, mas prolongam-se por entre tentativas de estar ocupada e não pensar na falta que me fazes. Na saudade e dor de ter deixado o que construímos para trás, na esperança de termos um futuro melhor, de tornar-me numa adulta e descobrir do que realmente sou feita, de ser melhor para mim e para ti. Nenhum de nós esperava que isto viesse acontecer e agora vemo-nos confrontados com o incerto, sem uma data para estarmos novamente juntos. É mais saudade e angústia. Porque agora só resta esperar, agarrados à esperança que tude melhore e que o tempo não venha a ser assim tanto...

Quero-te, quero-te tanto ao meu lado novamente.

Quero, quero tanto voltar à rotina no conforto da nossa casa. 

Quero, quero tanto o nosso tempo.

Quero, quero tanto a nossa familia reunida.

24
Mar20

cuida de ti!

escrito por bii yue

Enraizar, conectar profundamente, têm sido as palavras de ordem desde o primeiro dia que fiquei em casa. No entanto, só no domingo é que senti que estava enraizada e conectada, mas também foi quando vieram todas as emoções ao de cima, colocadas a um canto dada toda a situação.

As saudades pesam e tudo em mim grita para voltar para Portugal, porque ao menos tenho o conforto que me falta aqui. Evito pensar que este fim-de-semana ele podia cá estar, ou que nesta quarentena ia voltar a ter aquele mês de dezembro em casa que me soube tão bem. A Bélgica também tem a sua ironia, porque têm estado dias constantes de sol e dias perfeitos para ser turista. Notícias, só sei pelo que me dizem porque decidi desligar para não me sentir a ser puxada para aquele ciclo de ansiedade e sentimentos que me vão levar ao desespero de estar longe de casa. 

A minha rotina tem sido muito centrada em ioga e meditação, enraizar-me e ir mais a fundo neste processo de desenvolvimento pessoal e conectar-me com o verdadeiro eu, dar prazer a mim própria e não podia faltar o netflix & chill. Estou em teletrabalho, mas agora o que não falta é tempo. O que pode ser traiçoeiro, porque a vontade de ficar a fazer absolutamente nada é enorme, mas depois contando os dias que faltam e os que já passaram, é preciso ter algum sentimento de propósito

Não diria que estou bem, o medo e a incerteza estão de mãos dadas, as saudades fazem um nó no coração. Há dias que passam melhores que outros, pelo meio há bastantes mudanças de humor. Uma semana já passou e agora é que vai custar verdadeiramente a passar. Sinto falta da liberdade, de saber que a qualquer momento se podia viajar livremente pelo mundo (porque agora não sabemos quando vamos voltar a estar nos braços um do outro). Ironia do universo, quando acabo por ter toda a liberdade e estar a começar a aproveitá-la, é tirada e volto a estar sozinha, desta vez verdadeiramente no seu significado. Felizmente, já não sou mais aquela pessoa que não era capaz de aguentar a solidão, mas não é por isso que não deixa mais alguma ferida e teima em ir abrir outras que se estavam a curar.

Um dia de cada vez, a cuidar de mim, a tentar estar o mais sã possível, não cair nas presas do despero. Aproveitar o tempo para o que me mantém ocupada e em contacto com universo.

17
Mar20

Perspectivas, quarentena e dois países

escrito por bii yue

Estou divida entre dois países, a viver duas realidades. Estou preocupada e não vou negar que tenho medo e sinto-me bastante insegura, especialmente quando tenho que andar de transportes públicos, quando estão cheios, mas não é só por mim mas também por quem tenho em Portugal. A distância já era difícil, mas agora com esta situação de pandemia faz com que se torne ainda mais pesada

Na quinta-feira passada começou-se a sentir a tensão no ar, nos transportes as pessoas começavam a olhar de lado e com desconfiança, no trabalho esperava-se por haver desenvolvimentos visto que o governo belga estava a discutir que medidas iria tomar. Eu sentia-me com medo, desesperada, impotente mas numa tentativa desesperada de manter um pouco de positivismo e esperança. Na sexta-feira acordei e a cidade estava serena, ao contrário da tensão no trabalho com todos à espera do mesmo, uma conferência de imprensa onde se iria decidir que medidas tomar. Isto porque, o governo tinha decretado uma "quarentena" sem usar esse nome, restaurantes, bares e cafés fechados a partir da meia noite até 3 de Abril, apenas farmácias, supermercados e lojas de comida se mantêm abertas e algumas lojas de comércio de proporções maiores. A decisão chegou e a maioria dos trabalhadores vai ficar em teletrabalho, só ira a empresa quem tem que ir para o laboratório e supervisores mas com horários estruturados porque é necessário estar alguém presente. No meu caso, vou trabalhar até meio da semana e depois será de casa. Quando ouvi esta decisão comecei a entrar no ciclo de ansiedade crescente. O que vou fazer mais de 2 semanas fechada numa casa onde não me sinto confortável, onde não tenho o meu gato ou o meu namorado para me consolar, onde a minha família e amigos estão longe... Foi uma péssima altura para ter embarcado nesta aventura de ter largado tudo e ir experimentar uma vida numa país diferente. Mas não sou só eu, todas as outras pessoas de outros países, estamos todos no mesmo barco... 

Foi uma luta entre a ansiedade e a ficar calma e que vou conseguir aguentar, é só mais uma prova. Era suposto ele vir cá no próximo fim-de-semana, daí haver muito mais revolta, tristeza e um abalo enorme a minha positividade e esperança. Preciso tanto de sentir aquele abraço de segurança e neste momento não sei quando irei conseguir tê-lo. A ansiedade só foi crescendo com o terminar do dia, a minha energia estava completamente esgotada e abalada por todas as vibrações e tensões no ar, por todas as notícias e desenvolvimentos crescentes das ultimas horas. Na sexta à noite quando estava a ir para casa, fiquei abismada com a irresponsabilidade das pessoas de estarem todos nos bares para aproveitar porque iam fechar a meia noite (não é só em Portugal!). A minha colega de casa foi uma delas e imaginem a minha cara no sábado quando descubro e só penso "Onde é que ela andou a tocar? Mas ela não tem um pouco de noção, especialmente sendo italiana e saber da situação do seu país?" Por isso agora até dentro da minha própria casa tenho medo e me sinto insegura, o que torna as coisas ainda menos confortáveis e mais difícil de gerir à nivel psicológico. Toda a vez que saio do quarto lá vou eu com o meu desinfetante natural limpar todas as superfícies (uma vez mais!).

Como referi aqui foi quase tudo encerrado, mas o governo vai dar apoios! Em Portugal foi usada a palavra quarentena, mas nada foi fechado a nível de restauração, quem está a fechar é por conta própria e risco. Coloca-se uma questão importante, este mês era para pagar as contribuições e o que o governo fez foi adiar para setembro, mas e toda a quebra que se irá fazer sentir? Todo o dinheiro que não se ganha porque as pessoas estão em quarentena em casa (pelo menos as que cumprem e as que foram mandadas em teletrabalho), porque o governo não vai também apoiar? Porque não lhe convém!, porque mais uma vez esquecem-se das pequenas empresas (os meus pais que tem um café e vivemos daquilo, como serão estes meses? Não sei e com isso traz ainda mais medo e receio). Nas médias e grandes empresas não há um controlo específico, e sei que algumas mandam pessoas ao acaso sem analisarem caso a caso (sendo que muitas pessoas vão em férias, porque português é português) porque essas sim recebem uma ajuda do governo. Onde esta a justiça e igualdade?

Na semana passada tive a intuição de que devia ir às compras na quinta-feira e até acabei por ir a dois sítios. Na sexta instalou-se o caos, exatamente como Portugal (prateleiras vazias, água, leite, sabonete, álcool, desinfetante e papel higiénico inexistentes). Ontem fui às compras, para aproveitar já que estava nos transportes, ir ao lidl (que me fica mais longe de casa e onde as coisas são relativamente mais baratas (fica a dica)) e continuava esse panorama! Hoje vou tentar ir a outro sítio, porque eu não comprei para ter em stock mas sim à medida que vou precisando. Mais uma vez como toda a pessoa sensata deveria fazer...

Ficar em casa ninguém gosta quando é obrigado, e felizmente esta haver uma corrente enorme de suporte e ninguém esta sozinho (independentemente do país), porque estamos todos no mesmo barco. É uma chapada e despertar para a humanidade, somos todos feitos da mesma matéria e ninguém esta imune. Já houve mais pandemias no passado, a humanidade sofreu muitas perdas mas continuou até ao que conhecemos hoje. Cada um de nós tem que dar o seu melhor para se manter saudável e contrariar esta enxurrada de más vibrações, sentimentos e emoções, e zelar pela sua segurança e a dos outros, e estarmos agradecidos por continuarmos vivos e principalmente por termos pessoas a "lutar diretamente" com o vírus.

E para finalizar, mesmo depois da quarentena acabar é preciso ter em mente que o vírus irá continuar presente, irão continuar haver pessoas que não foram infetadas porque estiveram em quarentena e podem vir a ser. Ou seja, não é para voltar a vida normal e esquecer todas as medidas de prevenção!!! A quarentena é para prevenir contágios e por consequente prevenir o que esta a acontecer na Itália e Espanha. Irá haver sempre alguém que ainda não foi infetado e a partir daí iremos voltar à mesma bola de neve. Uma pessoa não vai deixar de voltar à sua vida normal, mas convém continuar a tentar evitar multidões e espaços apertados, lavar e desinfetar as mãos, evitar tocar na cara... Temos que ser conscientes e responsáveis! Há inúmeras previsões neste momento, se serão ou não verdade, iremos ver com o tempo, mas se quisermos que a pandemia "se extinga" é preciso ter isto em mente. 

Muitos de nós tinhamos viagens marcadas, falo por mim, que tiveram que ser adiadas por um "tempo indeterminado". E só queremos que esta situação se resolva para voltarmos a sentir-nos vivos.

Não esta a ser fácil neste momento para mim, sei que irá piorar assim que começar a minha "quarentena". É novamente aquela guerra entre titans, o meu positivismo e esperança de que irá passar e é só mais umas semanas até voltar a estar com ele e depois mais umas quantas até voltar para Portugal, contra a sensação de sufoco e insegurança que quer acabar num ataque de pânico. Óbvio que gostava de arrumar toda a minha tralha e correr para Portugal, mas não é possível e só restam as chamadas, as mensagens numa tentativa de aconchegar a minha pessoa. 

13
Mar20

vira aí a quarentena?

escrito por bii yue

É sexta-feira 13, é um dia que normalmente até gosto. No entanto, desde ontem que os dias tem sido estranhos, as emoções afloram à superfície e lágrimas teimam em querer cair. São as saudades, a enorme possibilidade de ter que adiar planos. A preocupação com as pessoas que tenho em Portugal, o pânico criado e crescente nas redes sociais que chega a ser doentio. Comparo com o que se esta a passar aqui com a mesma situação (estamos todos no mesmo barco), mas há civismo, a vida corre como sempre correu e não se criou um pânico desnecessário.

Hoje acordei e Bruxelas era uma cidade calma, serena e silenciosa. Menos gente nos transportes, menos transito, uma ligeira tensão e calma no trabalho. Foram tomadas medidas semelhantes à Portugal, escolas encerradas, bares, cafés e restaurantes também encerrados, supermercados encerrados ao fim-de-semana, mas não é necessariamente uma quarentena, porque de resto tudo irá continuar a funcionar. Até à noite irão haver desenvolvimentos de certeza e esta espera cega só contribui para criar mais ansiedade e stress. Ainda bem que ouvi os meus instintos e fui ontem às compras porque hoje vai estar um caos semelhante a Portugal (mas só tenho 3 rolos de papel higiénico, será o suficiente até voltar às compras? O que fazer perante a crise estúpida que se enfrenta mundialmente?)

Sendo uma fanática por limpezas e a casa onde estou não ser a mais confortável ou a melhor (visto a miúda tem tudo menos cuidados e descobri que é uma queixinhas e só me apetece dar-lhe um estalo da próxima vez que me cruzar com ela (mas esta tudo bem, é um pensamento/emoção temporária e não vale a pena gastar as minhas energias e pensamentos nisso)), estou a limpar sempre que consigo um pouco mais, mas pelo menos o meu quarto sei que está imaculado! As saudades que tenho de ter a minha casa e saber que estava sempre tudo limpo. Ter que voltar a viver com outras pessoas, especialmente numa altura como esta, é realmente uma merda.

Estou e quero tentar manter o meu positivismo perante esta situação global. Por mim estou calma, sinto-me minimamente segura e confortável, tenho um pouco mais atenção. "Não foi uma boa altura para vir viver para outros país", mas sei que tudo tem a sua razão. Tenho que manter-me forte, focada e não me deixar levar pela ansiedade e medo.

Aventura de uma vida ♥

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