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because your smile make me live ♥

forceful, trust, connected & discovering the wonders of the universe ✨

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26
Fev20

O bom no mau ou o mau no bom?

escrito por bii yue

O universo trabalha de formas engraçadas, como lhe gosto de chamar.

Tenho escrito que há dias bons e dias maus, mas os sinais e as "coincidências" continuam a aparecer. Era um pouco cética, mas a verdade é que desde que estejamos dispostos a observar e a viver no presente (mesmo que seja só por uns momentos) e se comece a trabalhar nisso (começando pelos básicos de amor-próprio e desenvolvimento pessoal), o nosso mindset e a visão sobre o mundo muda. Tenho bem noção do quão cliché isto é, e o quão difícil é acreditar nisto na maior parte do dias. Porque há alturas que as minhas palavras valem lixo, e fico a pensar porque raio é que estou com todo este positivismo, se continuam acontecer situações que me arrastam para o meu lado negro... Por isso é que fico abismada de como certas coisas acontecem e se encaixam para me deixar abismada ou dar aquela lição que vou adiando ou ignorando.

O sentimento de solidão tem virado uma constante. Voltar aqueles tempos de relação à distancia de quem ficou, onde adormecia a chorar e com um peso no coração enorme e sufocante. Só que nessa altura tinha os meus amigos que me obrigavam a sair, o conforto de estar em casa, de estar nos quartos que eram as minhas bolhas. Aqui, tenho o conforto mais semelhante que consegui criar no meu quarto. Mas falta-me o resto, não importa se os dias são ou não agitados. Sinto imensa falta das pessoas que faziam parte do meu dia-a-dia, de estar na cidade onde eram poucos os dias de chuva e tinha tudo ao virar da esquina. Sempre me custou um pouco a entender e aceitar que cada um tem a sua vida e a sua jornada e porque quero sempre tentar ajudar, no entanto há coisas que estão fora do meu alcance. Tenho que respeitar, independentemente do que sinta, porque é isso que a vida também me tem mostrado, apesar de querer colocar uma cortina para não ter que confrontar essa verdade. 

Aos poucos vou tendo mais respostas das crenças limitadoras, pontos base do desenvolvimento pessoal, desapego e amor próprio que tenho que trabalhar. Não é fácil, custa e doí. 

Por isso dar valor ao pequeno, que já tinha significado naqueles tempos, foi reformulado desde que comecei esta jornada. Melhora e dá um pouco mais de cor a um dia cinzento. Bruxelas é uma cidade com um tempo quase sempre cinzento, existem dias em que vem sol mas pelo meio o tempo escurece e vem novamente a chuva e vento. Houve dias em que consegui ver o nascer do sol no seu esplendor de cores e com um sol grande que me enche a alma, outros em que foi o por do sol. Nesta semana: ontem vi o nascer do sol que me veio dar um pouco de alegria e coragem para aceitar e colocar de lado a minha solidão e ansiedade; hoje vi nevar, era mais chuva que neve, mas havia alturas com pancadas de neve a cair que me deixou tão wow, isto é mesmo lindo!, e o chão em alguns sítios estava com neve que dava aquela beleza de paisagem de inverno. Uma das coisas que queria presenciar era ver nevar a cair, mas todas as pessoas me diziam que o inverno estava quente e para tirar essa ideia da minha cabeça, que não iria acontecer. Já vi neve, na Serra da Estrela e no caminho para Budapeste, mas nunca a vi ou senti a cair, era essa beleza da natureza que me faltava

Não estou bem, mas estou, é por alturas e consoante as emoções que decidem aparecer. E estes pequenos acontecimentos e alinhamentos amenizam as dores, suavizam o dia e alimentam a veia literária.

24
Fev20

linha ténue

escrito por bii yue

Estar aqui tem sido uma experiência a todos os níveis! É o tempo para mim mesma, para me descobrir e conectar-me, para ser quem eu realmente sou sem colocar máscaras que a sociedade nos obriga.

Há dias que são mágicos porque acontecem coincidências que não são coincidências. Os sinais, que era suposto aqui estar e que precisava desta aventura, continuam a aparecer. Meio que já perdi a conta aos deja-vus que tenho tido, só que ao contrário dos que de vez enquanto tinha, estes não são assustadores, mas como mais uma prova que tenho alguma ligação com esta cidade. 

É ótimo ter a liberdade que sempre desejei, mas a linha também é muito ténue. Há dias que me sinto completamente conectada comigo e com o universo, mas outros em que é o oposto e isso acaba por me trazer frustração, toda a saudade, todo o sentimento de estar sozinha. Sou uma pessoa caseira, posso dizer que um pouco de bicho do mato, uma pessoa tímida que não gosta de se meter no meio dos grupos que já estão feitos. Algo que devia contrariar, mas o cansaço acumula-se e o tempo onde raio de sol é raro, não ajuda. Sinto falta da natureza, ter a vontade e pegar no carro, ir até a praia e ficar ali a sentir o cheiro a maresia, os pés na areia. Especialmente naqueles dias azuis e com imenso sol, que aquecem o corpo e alegram a alma.

Quando cheguei conheci uma espanhola que é a minha companheira de conhecer a cidade, mas ela tem períodos que não esta cá, e é aquela pessoa que não gosta de beber. Os portugueses como já cá estão há algum tempo, nem sempre  saem assim tanto e cada um tem a sua vidas, e não gosto de ser aquela pessoa a ser chata e me meter o meio (defeito, talvez devesse ser eu a chegar e combinar...). E agora todos os fins-de-semanas há uma tempestade nova (acho que só houve 2 ou 3 em que o tempo esteve bom, no sentido de ir à rua e não ser puxada pelo vento e levar com chuva na cara) e acabo por ficar em casa, fico a descansar e a colocar coisas em ordem, mas quero sair e ir descobrir mais da cidade.

Conheci uma pessoa , das quais pensamos que só encontramos nas séries, mas existem na vida real (o mundo é mesmo vasto e ao contactar com outras culturas ficamos abismados com o que se passa e como cada pessoa tem caminhos e historias de vida tão diferentes e profundas). Sendo o coração mole que sou, gostava de a conseguir ajudar e mostrar que apesar de haver dias maus e uma vida que não foi a melhor até agora, é sempre possível tentar mudar. Só que existe o lado de me deixar influenciar e levar demasiado e acabar por ir por um caminho que não quero de todo. Já vivi o inicio dos meus anos 20, em que sinto que aproveitei, diverti-me e trago imensas memorias comigo. (Eu sei que ainda sou nova, ainda tenho muito para viver, apesar do meu pensamento de pessoa mais caseira e que gosta do seu espacinho) Óbvio que não me estou a fechar a essa experiência aqui, quero sair e beber, quero ir a festas e dançar, mas a minha maturidade e forma de ver o mundo é outra.

Encontrar e gerir o balanço, é o que tem sido a prova de todos os dias.

Entre gerir as minhas emoções e sentimentos, sair de fora da minha bolha, ouvir o que o meu corpo precisa e dar-lhe isso. Colocar-me como prioridade. E continuar no meu caminho...

17
Fev20

1/6

escrito por bii yue

1 mês desde que decidi pegar em todo a coragem que tinha e vir nesta aventura de estagiar para outro pais. Sai de Aveiro para fugir ao vento, mas acabei por vir apanhar frio com dias quase constantes cinzentos e um vento que ainda é mais forte e frio, aqui em Bruxelas.

Os eventos alinham-se de maneiras engraçadas e estranhas. Passei a tarde com os portugueses do trabalho e foi bom para diminuir um pouco a saudade e soltar o corpo a dançar. Para contrariar, tive um ataque de ansiedade, dos quais me foi impossível controlar porque veio de repente e logo no pico, antes de ir para a cama. Um conjunto de fatores: cansaço, saudades, hormonas, ter chegado a casa tarde e sentir que não tinha tempo (quando o tinha), sentir-me sozinha. E a cereja no cimo do bolo, o mercúrio retrogrado esta de volta. 

O tempo tem passado depressa e tenho-me deixado ir ao ritmo dos dias. Estou a começar a cair em mim... Um tempo frio e sem sol, que me deixa sempre num estado um pouco mais apática, apesar de toda este positivismo que tento manter. Trabalhar, apesar de ser mais do mesmo que fazia na universidade, é a nível empresarial com horários e expectativas e olhos postos em mim. Apesar de todos os dias contactar com diferentes pessoas e culturas, o ambiente e a cidade não são maus. Estamos no inverno, a paisagem não é a mais bonita, estou com esperança que assim que a primavera começar a chegar para estes lados da Europa, o ambiente comece a ser suportável. 

Ignorando todos os pequenos problemas com o quarto, ele é espaçoso e tenho a sorte de ver a lua todos os dias (isto se na maior parte dos dias não estivesse nublado) e ficar sentada no chão a apreciar e a sentir todo aquele ambiente. Finalmente comecei a coloca-lo ao meu gosto, a colar diversas coisas na parede e, quando acabei e olhei a minha volta, senti o meu coração tão pequenino, por toda a saudade do espaço confortável que já tinha criado e onde ficou uma enorme parte do meu coração. Tenho-me colocado em primeiro lugar, a tentar ouvir e respeitar o que o meu corpo pede, era e é o que preciso, aprender a estar e viver sozinha.

Provavelmente, é agora que começa a derradeira prova de fogo. Nao sei como vai correr, nao sei como me vou aguentar. Mas estou aqui, porque preciso para o pessoal, profissional e o futuro incerto.

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06
Fev20

E esta surpresa do universo

escrito por bii yue

Ontem publiquei o texto sobre o ter saudades de ver o nascer e por do sol, é um momento que me traz imensa paz e aquela mensagem de "esta tudo bem, continua".

Tirando a parte de hoje ou os transportes estarem com atrasos ou alguns terem sido suprimidos porque provavelmente avariaram, e o tram ir a abarrotar (e já pouco faltava para se fazer como no Japão e empurrar as pessoas)

O céu esta totalmente limpo, sem nuvens a tapar o horizonte. Deu para ver perfeitamente o nascer do sol  As cores do céu a mudar de um azul escuro para claro e aos poucos para uns tons rosa e laranja. E depois por breves momentos consegui ver o sol através de uma pequena floresta de árvores despidas. Um laranja radiante, na sua forma de uma bola gigante, já a alguns metros acima da linha do horizonte.

Apesar de isto ter sido tudo dentro de transportes, foi mesmo lindo e mágico, especialmente por estar a ouvir um episódio do podcast da Inês Pimental sobre vidas passadas, que é um tema que tenho vindo a ter bastante interesse ultimamente.

Existe magia, apenas tem que haver disponibilidade e abertura para a vermos e mais importante sentirmo-la. E neste preciso momento estou a vê-lo por entre janelas que estão alinhadas, detrás de uma grande árvore. Estou só com aqueles pontos luminosos nos olhos por estar tão forte, mas com um sorriso na alma. 

05
Fev20

Saudade

escrito por bii yue

As saudades começam a querer gritar aos quatro ventos.

De acordar e adormecer ao teu lado, aquele beijo matinal e abraço ao final de um longo dia. Das sensações na pele, do teu olhar em mim, da companhia e segurança. Dos dias que se passavam no sofá a falar sobre o tudo e sobre o nada. Dos ciúmes do gato quando estávamos abraçados e que tentava separar-nos por entre as pernas e a miar.

Ir à minha vida, com a possibilidade de ver o nascer e por do sol, ao meu ritmo. Ter a companhia da bola de pelo que me seguia para todo o lado (e que nos últimos dias passei a levá-lo de carro comigo quando tinha coisas mais rápidas para fazer). De ter o meu espaço, e poder estar sem preocupações de andar como quisesse. De me sentir no conforto do lar que fomos construindo. 

Das pessoas que me aturavam, dos lanches ao final do dia, dos passeios, dos jantares que tinham sempre que ter conversa badalhoca pelo meio. 

De ao fim-de-semana ir à casa e estar com os pais. Daquelas viagens de carro a ouvir podcasts, a fazer uma introspeção de vida, a tomar ainda mais consciência sobre as coisas ao meu redor e saborear a paisagem. De saturar a cadela e o gato, tal e qual como uma criança porque depois levava um raspanete dos meus pais. 

Do tempo quente. Do sol a bater na minha pele e sentir aquele calor tão bom. De ir passear à beira-mar, sentir a areia nos pés, a brisa nos cabelos e pele, o cheiro a salitro. Aquela paz e energia.

É saudade no coração, na alma e no corpo. 

O que é a saudade?

Um vazio que se entranha, algo que esta em falta constante, que não dá para preencher.

Os dias vão passando, mas sempre presente.

02
Fev20

Os pequenos azares #1

escrito por bii yue

Desde que cheguei que os pequenos azares tinham que vir comigo.

Contei aqui, os problemas com o aquecimento central. Agora já trabalha a 100%, mas só quando os senhorios se lembram de o ligar e não o manter a temperatura da noite durante o dia todo. Ou seja, grande parte dos dias chego a casa e esta frio até eles também chegarem e aumentarem a temperatura. A resolução foi ter comprado um pequeno aquecedor, que até dá imenso jeito na altura de ir tomar banho e ter o espaço bem quentinho e confortável como eu gosto, e de manhã enquanto me estou a arranjar. Podia estar a barafustar com eles, mas sou uma pessoa que vêm de um pais quente e a temperatura em que a casa esta é o calor e confrotável para eles e sendo que a minha colega de casa também está bem com isso, fico logo em desvantagem. Tenho um pequeno aquecedor que resolve, estou bem com isso.

Também me queixei de tomar banhos de água fria, esse esta semi resolvido, quer dizer agora é tolerável. O escantador vai abaixo (pedi para irem compor, supostamente foram mas continua na mesma) e nesse tempo a temperatura da água desce bastante, por isso tenho que aumentar a temperatura da água para o máximo porque assim esta do bem quente e depois passa para o morno. Desde que não volte a ficar no frio que me doí nos ossos e almas, também estou bem com isso.

Internet que é uma valente merda! Ora dá, ora já não dá. Não faz diferença ter um aparelho que aumente o sinal, aliás parece que só faz pior. Esgotante, deixa-me sempre à beira de um ataque de nervos e mandar tudo contra a parede.  Como em Portugal, depende do tempo e tem havido dias com bastante vento e chuva à noite. Mais do mesmo que esteja habituada, mas eu aqui preciso mesmo de wi-fi! porque tenho os dados limitados e reservados para o meu melhor amigo google maps.

Problemas com o acesso às aplicações dos meus cartões. Dificuldade em aceder por causa da internet, já me baniram o acesso porque supostamente me enganei no código (eu juro que não, deve ter sido a internet ter ido a baixo constantemente) e depois tive que ligar para números 21, até tenho medo da conta no final deste mês porque depois não são chamadas rápidas, mas sim com esperas.

Num dia que tinha chegado cedo ao trabalho estava toda contente porque assim também ia sair cedo e ia ter mais tempo para descansar quando chegasse a casa. O que acontece? Greve dos transportes, felizmente ainda consegui apanhar o primeiro, mas depois de 15 min de espera fui a pé até casa, mais 20 min. Nesse dia estava um vento frio, bem, bem, mas bem pior do que estou habituada em Aveiro, respirar era uma tarefa excruciante e só queria chegar a casa. Quando chego estava fria, o que só me fez ficar ainda mais chateada porque precisava de um ambiente quentinho para aquecer o corpo e alma.

29
Jan20

E onde andam as emoções?

escrito por bii yue

Os dias são agitados e felizmente ou infelizmente não me sobra muito tempo livre, esse já está preenchido com aulas online ou com a procrastinação de andar a passear pelo quarto ou pela internet enquanto falo com as pessoas. Podemos dizer que ainda me estou a ajustar a vida de adulto e ter que trabalhar.

Há dias em que grande parte do tempo estou em piloto automático, mais uma vez sinto que o meu cérebro me esta a proteger das minhas próprias emoções para não me ir abaixo e ter aqueles break downs de desespero. Mas também há momentos em que sinto, e é um enxurrada de emoções, saudade, tristeza, medo, falta de confiança em mim própria, os pequenos azares que tenho tido tomam conta e começam a dizer as vozinhas: até que ponto é que vale a pena. São as noites, quando finalmente estou a relaxar na cama que os pensamentos, sentimentos, as emoções começam a invadir e torna tudo muito mais difícil.

Sendo trabalho-casa e vice-versa, e apesar de ter pessoas no trabalho com quem vou falando e às vezes em casa, é inevitável sentir-me sozinha. Aí é quando sinto tudo, que sem querer tenho posto de lado. Estou a lidar com isto da melhor maneira que consigo no momento... 

Não é aquela vida "louca" de erasmus onde existe tempo para tudo, conhece-se toda a gente e todos os dias servem para sair. O oposto, chego ao fim de semana completamente cansada, só quero ficar em casa a descansar. Sendo a típica pessoa caseira, mas em minha defesa ainda não conheço ninguém com quem me dê bem para sair à noite e no bairro onde estou não convém andar sozinha depois de certas horas.

Aos poucos vou tentando descobrir o que conseguir, ganhando mais confiança com as pessoas e aproveitar esta experiência. Ainda estou um pouco fora da minha zona de conforto, é muita informação nova, muito dependente do google maps. Estou a aprender.

baby steps, baby steps 

21
Jan20

Os primeiros dias

escrito por bii yue

Calma. Picos de ansiedade. Coração pequenino com despedidas. 

●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○●○

Isto já é escrito de Bruxelas, embrulhada num cobertor porque o frio não é tolerável e como é óbvio fiquei doente. E o resto da história vem a seguir 

As despedidas foram um aperto enorme no coração, tanto com os meus pais, como para o meu namorado, que vê-lo por um vidro a afastar-me cada vez mais na segurança. Em questão de minutos vejo-me completamente sozinha, com muitas poucas horas de sono, a ansiedade começa a atacar psicologicamente e fisicamente. A viagem até foi boa, tirando alguma turbulência e o meu estado de morte que pouco aproveitou de um nascer do sol lindo acima das nuvens.
Esse primeiro dia foi um dos piores, imensa ansiedade e pequenos ataques de pânico, muito choro. O que mais me passou pela cabeça era que queria voltar e o que estava eu a fazer, a deixar toda a minha vida e zona de conforto para trás por uma aventura que não me sinto preparada e quando tinha passado os últimos dias em modo marioneta.

No meio disto, tive a sorte de ter conhecidos na cidade que me acolheram como filha e "me ajudaram" a ter o mais perto de conforto que era possível. Quando finalmente fui para casa nesse dia, ainda tive a dar uma arrumadela e a apesar de finalmente já ter tomado algo, dormir foi um tarefa excruciante. A ansiedade voltou mais uma vez em força, mas desta vez com tremores que me impediam de adormecer, apesar de todo o cansaço. Até pus música para relaxar e adormecer mas foi em vão. O cansaço e outro comprimido acabaram por tomar conta e no dia seguinte acordei com a claridade. Ainda com um pouco de ansiedade finalmente decidi ser uma pessoa e começar a tomar conta do presente. Aos poucos a "não pessoa" que era ontem ia desaparecendo, apesar do aperto no coração. Aventurei-me pela primeira vez sozinha nos transportes e seguindo uma aplicação que pensava que ia ser fiável (Google Maps é que é! não o moovit) perdi-me. Mas pelo caminho encontrei uma lojinha mística que faço questão de visitar e fiquei a admirar já um pouco da cidade.
Mas como é óbvio existem problemas! O aquecimento do meu quarto só funcionava a meio gás e como é óbvio o frio é suportável como em Portugal mas tudo menos confortável. E a água para tomar banho é um morno que se torna frio. Outra coisa "engraçada" é a casa ser por níveis, 3º são os quartos, 2º a cozinha e 1º a casa de banho! Trabalho os glúteos, mas quando já se esta tão bem aconchegada nos lençóis custa. 

Eu sou uma pessoa bastante friorenta. Estou bastante doente e não sei por isso sinto mais o frio e quero mais quente, mas mesmo assim não acho normal chegar a casa e não ter aquele conforto bem quentinho ou água morna que me aquecesse os ossos. Vamos trocer pela minha pessoa que se sente a morrer de frio em bruxelas.

Ainda não sei responder as perguntas óbvias, esta a ser muito para absorver e digerir. É um dia de cada vez, a encontrar a minha rotina e aprender a lidar com os sentimentos e emoções.

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12
Jan20

Marioneta

escrito por bii yue

Uma marioneta onde se vê os fios a mover por algo ou alguém. Acordar, levantar, fluir com o dia e as vontades, um abraço, uma palavra, deitar, dormir. As emoções vão e vêm, mas a sensação que perdura é uma dormência.

Mais um dia sem uma rotina certa, a fazer preparações, a ser forte inventando formas de estar distraída. A ser uma marioneta dos dias. Um corpo estático que se move por algo maior, fios transparentes percetíveis com mudanças de luz. Uma expressão de calma por entre sorrisos, cravada na face de madeira. Uma construção segura para aguentar todos os medos, incertezas, saudade, toda a excitação, planos, esperança. Uma construção resistente e capaz de dar suporte.

Enquanto os fios durarem... Lentamente vão encortando. Os movimentos começam a ser limitados. A madeira ganha mais e mais sinais de uso. Infiltrações começam a surgir, a dormência desaparece por umas horas para dar lugar a uma enxurrada de emoções.

Quanto tempo irá durar a marioneta? Do quão forte é feita? 

08
Jan20

Nova etapa

escrito por bii yue

Era suposto isto ter vindo antes das resoluções para este ano, mas sendo ao contrário, é fácil de adivinhar o que é. E quem me acompanha já deve ter percebido há mais tempo que vinha aí alguma mudança. 

Vou estagiar para a Bélgica através do programa Erasmus +. Isto já vêm de há uns bons meses, mas a resposta definitiva demorou a chegar. Ter tido o meu futuro no limbo e a atrasar-se durante meses foi engraçado. Se quero sair da minha zona de conforto, óbvio que não. Se preciso de sair da zona de conforto para crescer e lutar pelo meu futuro, e o universo continua a gritar que é este o caminho, sim. Enorme mudança na minha vida, de quem já não esta habituada a ter uma rotina e horários certos, de quem já esta habituada a ir de carro para todo o lado e não carregar o peso das compras por metros e metros, de ser uma pré-adulta.

Estou completamente assustada, mas a deixar-me ir com o flow. Nunca estive realmente e completamente sozinha fora de Portugal. O meu cérebro automaticamente não me deixa pensar claramente em como vai ser a viagem e os primeiros dias para não me darem ainda mais picos de ansiedade ou ficar com um medo que depois não vou conseguir controlar. Não vou ter o meu namorado, os meus amigos, a minha bolinha de pêlo para me confortar com um abraço. É isso o que mais custa, a falta de contacto físico e calor que o ser humano tanto quer e precisa.

Vai haver uma nova rubrica, porque isto implica mais uma vez uma relação às distância mas desta vez relatada na pessoa que vai. Se dá outra vez foi a escrita que me foi salvando, estou a contar com o mesmo e ajude a diminuir a distância e o peso da saudade, uma vez mais. Saber como é estar numa relação às distância, deveria ajudar só que é pior. Já sei o quanto aí vem, o peso da saudade, o "desespero" de não ter aquela carinho ou abraço ao final do dia. Estou a evitar com todas as minhas forças pensar na despedida, daquele sensação de ficar sem chão.

Ainda tenho muitas pontas soltas para juntar, quando já falta tão pouco para ir, mas esta tudo bem  (não sei como ir do aereoporto, não sei nada dos transportes, não sei nada de onde é suposto ir às compras, é suposto comprar um passe mas onde.) 

Quem é que vai andar sempre perdida com uma péssima orientação e a tentar falar um francês com portuganhol e inglês pelo meio. 

Fun fact: nunca gostei de francês, odiei aprender e o que vai ter que acontecer? Aprender à força! 

(se alguém for destes lados ou já lá tenha ido, diga porque ajuda é bem vinda!)

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