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because your smile make me live ♥

forceful, trust, connected & discovering the wonders of the universe ✨

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04
Abr20

Desafio dos pássaros - Não tenho o tempo

escrito por bii yue

- Deixa-me ir, isto não pode esperar, o tempo é agora. Sinto em todo o meu corpo que não há mais tempo a perder, a minha alma chama por isso. Tenho que ir e viver, descobrir mais de quem sou e do que sou feita. 

- Não estas preparada, precisas de mais tempo. Precisas de planear melhor, ter em conta tudo o que pode acontecer, aumentar as tuas poupanças, zelar melhor pela tua segurança. Espera, espera mais um bocado, porque ainda há tempo.

Ela olhava ao espelho, completamente vidrada no seu reflexo. As suas vozes interiores gritavam uma contra a outra. Só queria silenciá-las para conseguir ouvir o seu coração. Não tinha tempo para estar a aturar-se. As lágrimas escorriam lentamente pela sua face.

Estava tudo pronto, as malas feitas e encostadas à porta. Ela estava pronta, botas de salto pretas, leggins pretas de algodão, camisola de lã branca a dar pela coxa, casaco volumoso azul-escuro.

Fecha os olhos, respira bem fundo e olha-se novamente ao espelho. Estava nua, com as lágrimas já a baterem no seu peito, punhos cerrados e com o quarto numa desarrumação na sua arrumação

Não tinha o tempo de qualidade para ela própria, o problema era esse. Não queria enfrentar-se, era mais fácil perder-se no tempo. Precisava de respirar e olhar-se nos olhos, perguntar-se o que realmente era e o que queria. Lidar com ela própria, aceitar, respeitar, perdoar e amar.

01
Abr20

Desafio de escrita dos pássaros - encruzilhada da alma

escrito por bii yue

Tive uma ideia! Não, são várias ideias, mas não sei qual devo escolher... Qual será a melhor? Qual será a que realmente quero? Qual será a que me irá trazer mais concretização, mais prazer? Qual será a que irá trazer aquele sentimento de estar a seguir o meu verdadeiro propósito e ser verdadeira a mim mesma?

É uma encruzilhada e eu ali parada no meio. Estática, mas com o coração a pulsar com todas as revelações, e abismada com o caminho que estou a tomar. Qual é o mais correto? Qual é o melhor? Qual é o mais brilhante? Qual é o mais prospero? Qual é o mais trabalhoso? Qual é o mais gracioso? Qual é o mais prazeroso? Qual é o ideal?

Em tempos de descoberta, as portas e janelas abrem-se. Tudo depende da atenção e intenção que estão implantadas no ser. O poder de escolha pertence-nos, mas é a decisão que perdura. E qual é essa decisão? Não sei, mas tenho as ideias...

Ouve. Reflete. Confia. 

Tudo têm o seu tempo.

26
Mar20

Não é fácil, nunca o é

escrito por bii yue

Sinto-me a ser puxada para os tempos em que estavas de Erasmus. Mas é tudo diferente, o quarto, o país, a maturidade, os papéis. Aprendi imenso e isso poderia trazer algum conforto para o agora, mas não é isso que acontece. Porque os sentimentos e emoções estão presentes, são mais profundos porque viveu-se tanto mais. A diferença foi que cresci, cresceste, crescemos. A nossa visão do mundo mudou e aprendemos a aceitar a realidade ... mas não é fácil, nunca o é.
Durante o dia estou bem, mas assim que a noite se põe tudo fica escuro. O meu humor muda como o dia para a noite, tudo vem ao de cima, aquele aperto no peito não se desfaz, a respiração fica mais curta e não é profunda. 
Estou sozinha, num quarto onde não existem vestígios teus, mas tenho os que guardo na memória, os que trago no meu corpo. O quão quero voltar a sentir-me protegida nos teus braços, a tua pele na minha, a tua respiração junto a mim. Os pequenos gestos de carinho, os toques, sentir-te, ver-te e ouvir-te à minha frente!
Os dias vão passando, mas prolongam-se por entre tentativas de estar ocupada e não pensar na falta que me fazes. Na saudade e dor de ter deixado o que construímos para trás, na esperança de termos um futuro melhor, de tornar-me numa adulta e descobrir do que realmente sou feita, de ser melhor para mim e para ti. Nenhum de nós esperava que isto viesse acontecer e agora vemo-nos confrontados com o incerto, sem uma data para estarmos novamente juntos. É mais saudade e angústia. Porque agora só resta esperar, agarrados à esperança que tude melhore e que o tempo não venha a ser assim tanto...

Quero-te, quero-te tanto ao meu lado novamente.

Quero, quero tanto voltar à rotina no conforto da nossa casa. 

Quero, quero tanto o nosso tempo.

Quero, quero tanto a nossa familia reunida.

13
Mar20

Desafio de escrita dos pássaros #2.7 - Um brilho boho

escrito por bii yue

"Já alguma vez pensaste como vai ser quando já não estiveres neste mundo físico? De que modo é que as pessoas te irão celebrar? Como será a tua memória para elas?"

"Não, mas imagino que seja algo lindo e com um profundo, porque sei que irei deixar a minha presença seja por ter sido uma mudança de pensamento ou cura, em que precisa."

...

As cores no horizonte começavam a mudar para os tons laranja e rosa, as típicas de verão. A maré começava a baixar e a praia a encher-se de sombras por causa da falésia. O vestido laranja comprido esvoaçava a cada passo dado até chegar à beira-mar. O seu cabelo ruivo com reflexos vermelhos, estava com algumas trancinhas e alguns apliques de penas tribais. Senta-se na areia molhada a saborear a sensação que lhe provocava no corpo.

O pôr-do-sol sempre seria um momento mágico, não importava quantas vezes o vi-se porque havia sempre diferenças. Era ainda mais especial por estar de volta ao local onde começou a despertar e começou a sentir a magia do universo a fluir na sua vida. Desde desse momento que cresceu, viveu, mudou, desapegou, chorou, riu, investiu imenso em si própria, encontrou o seu caminho e foi mudando a vida das pessoas que lhe apareciam à frente fosse através de umas simples palavras ou através das técnicas que tinha aprendido durante o seu percurso pelo mundo holístico. 

Quando ela começava a refletir sobre a sua vida, as lágrimas caiam pela gratidão que sentia. Por tudo o que foi aprendido através dos bons e maus dias, pelas pessoas que mudaram à sua vida e à sua visão de si mesma e do mundo, pelas que conseguiu ajudar a encontrar à sua própria cura. Pela criança e adolescente que foi, tão ignorada e não compreendida, pelos anos bastante confusos de não saber se estava realmente a viver, pela mulher que se começou a tornar. Pelos diferentes percursos que percorreu, por ter encontrado o seu caminho que apesar de ser controverso e nem sempre bem visto pelas pessoas onde perdeu coisas pelo meio, também ganhou coisas ainda mais especiais com o passar do tempo. 

Ela era finalmente livre, dona de si mesma, carismática e envolvida num brilho radiante. Estava no caminho que lhe tinha sido destinado e estava verdadeiramente feliz por ter descoberto quem era

28
Fev20

Desafio de escrita dos pássaros #2.5 - O livro

escrito por bii yue

Aquele dia tinha finalmente chegado, parecia um sonho para ela tomar consciência que era a realidade e ela tinha conseguido concretizar um dos seus maiores sonhos. Ali estava ela à entrada  da porta, com um sorriso enorme, o coração a transbordar de gratidão e lágrimas de felicidade. O tempo estava bastante agradável, era um daqueles dias com um sol radiante e um vento suave que trazia um pouco de frescura. O vestido preto com um padrão rosa escuros florido esvoaçava gentilmente, contrastando com o seu cabelo vermelho com reflexos laranja provocados pelos raios de sol que se escapavam por entre as folhas das árvores.

Após muitos anos a escrever histórias soltas no seu tempo livre, decidiu que era a altura de tirar umas férias sem limite para se dedicar a uma das suas grandes paixões. Com o que tinha conseguido poupar ate então, conseguiu fazer duas viagens que transformaram ainda mais a sua vida e a forma como via o mundo. Surgiram mais histórias e mais motivação para continuar e não desistir. Ao ter tomado aquela decisão, sabia que a busca por apoios não ira ser fácil, iria ser o mais desafiante e stressante. Passou-se um ano, já tinha tudo escrito e organizado sobre o livro que sempre toda a gente lhe disse para criar, mas continuava sem apoios para o conseguir lançar ao mundo.

Como tinha contas para pagar, voltou a trabalhar as 8 horas por dia, voltou à sua rotina habitual. Sentia uma certa mágoa, mas tinha noção de que tinha tentado o seu melhor e permitiu-se a aceitar. Mais 3 anos se passaram e finalmente aconteceu, chegou o dia de lançamento do seu livro! Já há 2 meses posto à venda e recolhido o feedback, tinha chegado o dia de ela se apresentar ao mundo.

Acordou ao lado da pessoa que sempre a tinha apoiado. Minutos depois recebe os mimos e miaus habituais para ela se levantar e ir abrir o estoro para o felino ver o que se passava fora daquelas 4 paredes. Só tinha que estar pronta a hora de almoço, por isso fez a sua slow morning. A desfrutar do nascer do sol acompanhado pelo café. Um pouco de meditação e ioga para se conseguir focar no momento presente. Estava pronta para sair de casa, quando ele lhe aparece em casa, abraça-a e diz-lhe: "achas mesmo que ia escolher trabalhar, em vez de estar ao teu lado num dia que sempre sonhaste".

21
Fev20

desafio de escrita dos pássaros #2.4 - O Show

escrito por bii yue

"Será que o google enganou-se no local?? Era suposto ir ver um show, não ir fazer parte de um!"
Estava em estado de choque, a tentar assimilar tudo o que se passava à sua volta. A brasileira estava a fazer-lhe uma maquilhagem simples, mas carregada no iluminador, enquanto falava com um sorriso enorme.

Não conseguia fazer o seu corpo reagir, mas quando é levada a escolher a roupa, grita "PARÁ, ISTO E UM ENGANO! NÃO SOU CAPAZ!". Naquele momento a brasileira olha para ela, e pela primeira vez dá-lhe espaço e tempo para se explicar... E ela tinha razão, já que ela porque não experimentar, o que é que podia correr mal? Ganha coragem e entusiasmo, e escolhe a roupa que quer usar: Meias pretas acima do joelho, uns calções de ganga que se ajustavam perfeitamente ao formato do seu rabo, um top prateado de brilhantes, uns saltos de 5 cm e um lenço branco. "Miúda, pareces uma outra pessoa, estas maravilhosa! Já pensaste que nome queres que te apresentem?" "Moon, esta noite sou a Moon!"

Quando se olha ao espelho, não conseguia acreditar no reflexo, sentia-se poderosa, corajosa, linda e mesmo boa. 1 minuto para entrar em palco, não fazia a mínima do que iria fazer, mas a adrenalina estava a fluir e ia deixar-se levar por isso...

A cortina abre-se, as luzes a batem nela, só via sombras de pessoas. O palco era pequeno com uma cadeira no meio. Entra, já a sentir o ritmo da música e tenta caminhar de maneira sexy até a cadeira. Mesmo movimentando-se lentamente, ia caindo por duas vezes sendo que felizmente consegue manter a postura. Senta-se na cadeira, descalça os saltos e a partir desse momento solta-se, perde toda a vergonha e é a sua verdadeira essência, sexy, doce, rebelde, misteriosa e sem tabus.
Por esta altura já estava habituada as luzes e consegue ver minimamente as pessoas mais próximas, homens, mas também mulheres estavam vidrados nela. Na forma como se movia, como provocava usando o lenço para cativar e deixar algum suspense no ar e a cadeira como suporte para se movimentar e dançar. Isso fazia com que fosse ainda mais ousada!

A música acaba, as luzes desligam-se. Ela estava ofegante, mas com um sorriso enorme e um sentimento de poder incrível. Ouve os aplausos e assobios e não era capaz de acreditar no que tinha acontecido.

14
Fev20

Desafio de escrita dos pássaros #2.3 - Deixa fluir

escrito por bii yue

Já há muito tempo que ela estava numa guerra interna. Procurava o amor mas sempre escapava entre os dedos e não conseguia entender o porque. Ia a encontros e muitas vezes divertia-se, mas sentia sempre falta de uma conexão mais forte, mais intima para continuar. Ficava no seu mundo, apesar das investidas da outra pessoa, porque era apenas a conexão física e precisava da química também, para avançar.

Tinha tido mais um encontro falhado. A conversa tinha fluido naturalmente, houve trocas de experiências, muitos risos, mas mais uma vez faltava aquela conexão que ela tanto queria. O tempo estava bastante agradável para uma noite de primavera, sentia-se o cheiro a salitro no ar, o vento suave fazia com que o seu cabelo e vestido tivessem um pouco de movimento. Descalça-se e caminha em direção ao mar. Um contraste entre o duro e áspero da madeira do passadiço, e o mole e suave da areia fria. Vai até perto a linha da água e senta-se na areia semi molhada. Era noite de lua cheia e o reflexo imperfeito no mar criava um ambiente calmo e confortante. A natureza era imperfeita na perfeição. 

As lágrimas começaram a cair perante aquela beleza e no seu coração encontrou a resposta para a sua duvida. Ela dava amor aos outros, mas nada a si mesma, colocava-se em segundo plano. Ela necessitava de amor-próprio porque também era mais que merecedora disso!

A partir desse dia tudo mudou, começou a respeitar-se, a ouvir-se, a cuidar-se e criar novas rotinas e hábitos, a trabalhar e investir em si mesma. A roda começou a girar novamente, em alguns meses a sua energia mudou drasticamente e também as coisas ao seu redor. Sentia-se mais plena, mais conectada consigo mesma e com o universo, mais livre, mais si mesma. 

Estava no seu café favorito a ler um livro, quando um dos gatos lhe salta para o colo, aninha-se e fica ali a receber mimos. Pouco tempo depois uma mulher, com uma energia vibrante, diz-lhe "ele tem bom olho para escolher os colos das pessoas mais amorosas para dormir". Começam a falar e em questão de minutos percebem que pensam de forma semelhante e é como se já se tivessem conhecido. E assim nasce uma sintonia entre duas pessoas que com o tempo iria levar ao amor.

13
Fev20

Os corvos

escrito por bii yue

Mais um dia cinzento, parece que vai chover mas provavelmente não irá acontecer. O vento sopra, ou numa rajada mais forte, ou nem se sente. A claridade não é muita, mas ela precisava se sair daquele ambiente tão pesado em casa. O parque ficava a uns metros, era só preciso descer a rua. Vestiu no quispo e cachecol, calcou as botas, pegou na mochila e saiu batendo com a porta. Sentia o sangue a ferver, sentia-se quente, sentia a necessidade de gritar. Caminhava depressa, com o quispo aberto, cachecol e cabelo ao sabor do vento.

As árvores estavam completamente despidas, apenas se via a terra e pequenos ramos no chão. Envolvida naquela agressividade vai até um pequeno riacho, onde o som da água a passar por entre as pedras e ramos a conseguia acalmar. Ali o ambiente, apesar de frio e despido, tinha um pouco de verde de musgo, ervas e a tentativa de flores selvagens crescerem naquele ambiente com pouca inóspito. Senta-se encostada a uma árvore, abre a mochila e tira o seu caderno. Estava gasto por andar sempre consigo, as folha ocupavam espaço de já tanto terem sido escritas e usadas.

"Parece que esta tudo bem, mas também escondo o que não esta com um sorriso. Aguento tudo cá dentro, para estar lá para os outros. São aparências mantidas, problemas menores perante outros. Porque tenho que estar la para os outros, porque tenho a vida bem e nenhum problema que seja comparado ou precise de atenção.

Só que é um balde de água que já esta cheio, e vai recebendo mais e mais gotas até começar a transbordar lentamente. Sempre a ouvir, a dar, a estar. E quando quero estar sozinha e afastar-me é uma revolução. O problema sou eu que não ajo da maneira adequada, não os outros por estarem embalados na roda da presença. 

Sinto que o meu mundo esta abalado, virado do avesso. As decisões que foram tomadas, por pensar que é só mais uma oportunidade porque é só uma fase, começam a ser repensadas, porque por quanto mais tempo vai ser capaz de aguentar sentir-se sugada. O cérebro quer reagir e assumir o controle, mas coração sente bastante e agarra-se as memórias, criando mais dor.

Sem vida, drenada, cinzenta como os dias, sem uma melhoria a vista. Quero fugir, quero tirar os nós a estes laços e deixa-lós ir. Largar todas as expectativas que têm sobre mim e reinventar-me. Mas porque é que não me deixam..."

Alguns corvos vao pousando perto de si, fazendo os sons agudos que a trazem de volta ao mundo real. Fica alguns momentos a observa-los e apercebe-se que o seu corpo esta a ficar gelado e é hora de voltar a casa.

07
Fev20

Desafio de escrita dos pássaros #2.2 - É que isso de médicos, nunca fiando

escrito por bii yue

Era só um resfriado, ela não precisava de ir ao médico. Não gostava deles por experiências passadas, e estar meia adoentada era completamente normal. Nariz entupido, dores nos ossos da cara, inchaço, cansaço e de vez em quando dores ligeiras e formigueiro no braço esquerdo. Sabia bem que era por ter o sistema imunitário embaixo, só precisava de ter tempo para se recuperar.

Com muito esforço obriga-se a sair da cama, vai até à cozinha e põe o café a fazer. Vai até à casa de banho e sente a porta a ser aberta pelo gato, que mais parecia um cão, por estar constantemente a segui-la para todo o lado. Volta à cozinha para beber o seu café e vai até à janela para ver o nascer do sol. Pensou que precisava de meditar ou fazer exercício, mas ia ser impossível por só conseguir respirar pela boca. Foi para o sofá ver desenhos animados e poucos minutos depois o gato enroscasse nela debaixo da manta. Não ter rotina era das melhores coisas quando estava doente, podia adiar tudo para outra altura ou ir fazendo as coisas ao seu ritmo. Envolvida naqueles pensamentos, no conforto da casa e amor do gato, acaba por adormecer.

É acordada pelo namorado, que se vai enrolar nela.

"O que estas a fazer em casa tão cedo? Passou-se algo no trabalho?"

"Já são 6 da tarde. Nem sequer sentiste eu a entrar em casa. Passaste o dia aqui?"

Como era possível, ela tinha passado o dia inteiro a dormir e não deu por nada, nem sequer acordou com o barulho da televisão ou o gato, que de certeza que deve ter tentado acordá-la. Só podia ser do cansaço acumulado, o corpo dela precisava mesmo de recuperar e repor todas as energias das transformações e mudanças que tinha tido nos últimos meses. Estava sempre a colocar-se no limite e nunca ouvia o corpo que gritava para descansar.

Era suposto ter aproveitado aquele dia para matar saudades do gato, ir até à praia e apanhar um pouco de sol. Só ia ter 4 dias de férias e queria fazer contas todas as horas, mas o seu corpo exigiu outro tipo de descanso.

31
Jan20

Desafio de escrita dos pássaros #2.1 - Acho que a coisa não vai correr bem

escrito por bii yue

Ouvia-se perfeitamente os pássaros a guinchar, não a cantar como os que ela estava acostumada, porque afinal eram corvos. O dia estava fria com um nevoeiro cerrado, apenas alguns metros eram visíveis. 

Ali estava ela, com várias camadas de roupa e com imenso frio à espera que a sua companhia chegasse. Inspirar tinha que ser com o cachecol à frente do nariz para o frio não fazer doer e expirar era uma tentativa de aquecer a cara, mas só criava o contraste de vapor entre frio e quente. Os minutos iam passando e a sensação que algo não iria correr bem não parava de a atormentar. "O que seria? Porque é que não conseguia ser mais especifica nestes instintos?"

Os minutos passam para meia hora, farta de esperar e no momento em que se decide voltar para casa, o telemóvel vibra: "Tive um imprevisto e não vou conseguir ir ter contigo". Ainda ponderou durante uns segundos se deveria ir sozinha ou não. Mas estava ali para aventura, por isso seguiu em frente com a ajuda do google maps. O céu começou a passar do típico cinzento para o escuro da noite e ela a andar por ruas completamente desconhecidas numa tentativa de chegar até ao centro da cidade.

Ao fim de uns 15 minutos, consegue encontrar o local. Reúne toda a sua coragem e decide entrar no bar. O ambiente era escuro mas aconchegante, só que precisou de alguns minutos para os seus olhos se ambientarem. Como ficou parada na entrada, foi abordada por uma mulher mais velha que começou a falar uma língua que ela não estava a reconhecer. Bem tentou dizer que não estava a perceber, mas foram esforços em vão. A mulher empurra-a, indicando um caminho por um corredor que ia dar a camarins. Agora ao invés de um espaço escuro, havia imensa luz. Espelhos com luzes redondas, imensas indumentarias, glitter, maquilhagem. "Abortar missão, tenho que conseguir sair daqui!", naqueles instantes de pânico e a tomar consciência da situação, aparece uma nova mulher que em brasileiro lhe pergunta "és a nova rapariga para o burlesque show? Segue-me, vou-te explicar tudo." 

Ela bem sabia que algo não iria corre bem. Como é que iria conseguir sair daquela situação? Tentar fugir e sair daquele lugar sem ficar ainda mais constrangida, ou deveria deixar-se guiar pela adrenalina e todo aquele mundo que sempre a fascinou.

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